(Atualizado no dia 16/09/2002)
 
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Palavra de ordem é a mistura

Sobreposição de peças é uma tendência que vem do folk, mas as coleções também trazem referências do barroco, da cultura latina e do romantismo, com feminilidade

Phelipe Rodrigues
Da equipe do DIARIO

Mesmo que você seja a leitora mais insensível do Globo - a taliban sanguinária - e não tenha derramado uma lágrima pelo maior atentado terrorista da História, saiba: até na sua caixinha de jóias tem estilhaços. É que depois do 11 de setembro, a moda em todos os seus setores, foi repensada. No caso da joalheria, está acontecendo uma volta à feminilidade. Algo que se pode até chamar de segundo New Look, o visual criado por Christian Dior em 1947.

  "As mulheres querem muito investir nessa característica que tinham perdido com a preocupação excessiva em invadir o universo dos homens", teoriza a gerente de projetos especiais da H.Stern, Tipiti Simonsen. Por isso, voltam os brincos grandes, daqueles que caem pelo ombro, como usava Tarsila do Amaral, pintora modernista. "Não estamos fazendo só isso, há versões menores deles. Mas é que os volumosos, com mais de 10 cm de altura, têm o clima exagerado da próxima estação", completa Tipiti.

  Se não quiser ficar joiada demais, existe a opção de investir nos grandões em uma orelha só. Moda anos 80, com aquelas peninhas hipongas, de volta pelas mãos de Karl Lagerfeld, na última coleção da Chanel. A H. Stern até criou uma pena em ouro, para relembrar o clima. "Esse período pede pescoço e orelhas muito expostos. Os anéis e pulseiras perdem espaço para os brincos", avisa o presidente da Associação dos Designers de Jóias do Rio de Janeiro (ADesign), André Leite. Ele enfatiza que as peças mais preciosas não seguem tendência com muito fervor.

  "Isso é para o adereço barato, que se adequa aos modismos", completa. Mas é necessário saber o que tirar do cofre para compor o look da estação. "Se ele estiver recheado de pedras brasileiras, melhor", reforça Leite. Os azuis, violeta e lavanda das águas-marinhas têm muito a ver com o espírito das batas e chinelinhos indianos. "Junto com o amarelo dos citrinos e quartzos rutilados", informa a designer Luciana Lederman, da Lederman. Amarelou geral também nas voltas de ouro e pulseiras. E pra não ficar com cara de bicheira, o certo é misturar. "Para fazer com as jóias o que é comum com roupa: mixar", ensina a sabida Tipiti.

  Aqui, a referência é a surrealista mexicana Frida Kahlo, que juntava tudo e dava muito certo. "A sobreposição de jóias é uma tendência da linha folk. Correntonas e pedras colocadas lado a lado", opina Tipiti, e segue informando: "Desde que a roupa e personalidade permitam a overdose".

  Caso o barroco latino e dramático não esteja nos planos, pode bancar a romântica. "Envolta em pérolas e desenhos florais", fala Luciana. A novidade é a lapidação em pérolas, igual ao que se faz com as pedras. E muito art déco, aquele estilo de linhas geométrias e assimétricas que fez sucesso os anos 20 e 30. A garimpagem pode ser um sucesso em brechós e antiquários, com muitas réplicas ou originais de Jean Patou, Paul Poiret ou algum Cartier básico. Onde? Se quer mesmo saber, vai no Le Louvre des Antiquaries, Palais Royal- Paris. Quem for nas comemorações do Ponto Zero, pega um cab até a Park Avenue, no leilão da Christie's.

Serviço

H.Stern: 3467-5503

Lederman - 3465-9265

André Leite - www.realg.com.br








 

 
 
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