Edição de Quinta-Feira, 19 de Setembro de 2002
 

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Manipulações

Dizem os céticos que as únicas pesquisas eleitorais confiáveis são as penúltimas, entendendo-se que as últimas são as próprias eleições. Se o processo é sério, só na véspera das eleições a pesquisa pega eleitores definidos, com a cabeça feita, e portanto é uma amostragem certa. Se o processo não é sério, as penúltimas pesquisas são os álibis das pesquisadoras. As que elas usam para disfarçar manipulações passadas e garantir sua reputação.

  Quando se dizia que as sondagens de intenção de votos tinham ficado tão precisas que não erravam mais, era sempre baseado nas penúltimas pesquisas, as do fim, as que as pessoas lembravam quando o possível uso eleitoreiro de pseudosondagens no correr da campanha tinha sido esquecido. Assim pesquisadores sérios e não tão sérios só precisavam estar certos uma vez por eleição. Na véspera.

  Mas todas as teses conspiratórias sobre resultados manipulados pressupõem um improvável acerto entre as empresas de pesquisa, pois seus números e seus enganos tendem a ser parecidos Achar que pode haver maracutaia combinada é bobagem equivalente a achar que a técnica de amostragem pode ser uma ciência exata e um dia até, por que não, substituir o sufrágio universal - este sim, tão imprevisível e variável que não se deveria confiar nele como amostra do que as pessoas querem, segundo a mentalidade estatística.

  Não há conspiração, não há maracutaia, o TJE é imparcial e limpo, somos uma democracia adulta, mas tem uma coisa: essa história de urnas eletrônicas pré-programadas pululando na paisagem está engraçada. "Engraçada", aí, no sentido de muito séria. Elas já apareceram em vários lugares diferentes, preparadas para favorecer sempre os mesmos. Dizem que é assim: você aperta no botão do Lula e a máquina vota no Serra. Aperta no botão do Ciro e a máquina vota no Serra. Aperta no botão do Serra e a máquina diz "Eu sei, eu sei!".








 

 
 
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