Edição de Quinta-Feira, 19 de Setembro de 2002
 
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DE OLHO NO GUIA

Maciel "paz e amor"

Silvia Bessa

O vice-presidente e candidato ao Senado Marco Maciel está para a campanha estadual como Luiz Inácio Lula da Silva está para a campanha presidencial. Apesar da diferença dos cargos para os quais concorrem, uma semelhança os une: a postura que ambos têm adotado às vésperas da eleição. Nem o governador Jarbas Vasconcelos - com 51 pontos percentuais sobre o segundo colocado nas pesquisas, Humberto Costa, de acordo com o Ibope - tem se igualado a Lula, com tamanha confiança, ignorando de tal forma os adversários. Maciel tem feito uma campanha de ganhador. De "paz e amor", como a de Lula. Também chamado de "Lulinha paz e amor".

  Maciel foi escolhido alvo preferencial dos opositores. Era citado como o ponto frágil da chapa de Jarbas, dono de uma grande popularidade. A campanha do vereador recifense Dilson Peixoto mirou todos os canhões para Maciel, com a expectativa de vincular Jarbas ao pefelista e assim reduzir os índices de intenções de votos que os fazem líderes. Foram muitas promessas até que, em um dos primeiros programas do PT, dona Elvita, mãe do preso político-desaparecido Fernando Santa Cruz, foi convocada para depor contra Maciel.

  A idéia era mostrar que o passado de Maciel era manchado. Mas, pelo jeito, o PT não conseguiu atingir seu objetivo e desistiu de arriscar seu tempo com bomba de alto impacto. Maciel vem recebendo ataques, mas os ignora, apesar de sua equipe jurídica tentar tirar as peças publicitárias do ar. Até mesmo nos direitos de respostas obtidos pelo vice-presidente, a trajetória ganha mais espaço que a resposta ao ataque recebido. Mantém a mesma sobriedade de Maciel nas ruas - aliás, não adianta porque o jeito dele de vice-presidente é preponderante.

  A campanha de Maciel tem surpreendido aliados e adversários. Segundo os marqueteiros da coligação dele, pesquisas internas mostram que ele deve aparecer como líder das intenções de votos até na Região Metropolitana do Recife. Ele dividia o lugar com o candidato Carlos Wilson (PTB), tipicamente urbano. Ainda da pesquisa do Ibope da semanapassada, destaco outra informação interessante: inusitadamente, Maciel é o preferido entre os jovens eleitores, com idade entre 16 e 24 anos. Nesta faixa etária, ele tem 46% das intenções de votos, contra 35% de Wilson e 36% de Sérgio Guerra. O patamar atingido por ele entre os jovens só é menor que o dos eleitores com mais de 50 anos. Entre esses, ele aparece com 56 pontos percentuais.








 

 
 
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