(Atualizado no dia 18/09/2002)
 
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Eckhout também em multimídia

Computaodres, telões e efeitos especiais compõem o Instituto Brennand, aberto ontem

A pinacoteca do Instituto Ricardo Brennand, aberta ao público desde ontem, é visita obrigatória não somente pela preciosa exposição Albert Eckhout Volta ao Brasil (1644-2002). O instituto preparou uma sala multimídia que merece ser explorada e que deverá alcançar seu principal objetivo: seduzir o público jovem. Mas não é somente esse público que deve prestar atenção à sala. Isso porque o objetivo dela é bem maior. É permitir ao visitante experimentar outras particularidades do que Eckhout viu e provou.

  As ferramentas usadas para isso são cheiros, sons e belas imagens de uma dança indígena projetada num espaço tridimensional. "O que queremos é reforçar o momento histórico em que Eckhout esteve no Brasil, da pintura dele e das influências reais que ele recebeu", afirma Zaven Parè, cenografista francês que desenvolveu a concepção da sala.

  Um dos instrumentos para essa imersão é o Kinescópio. Trata-se de um efeito visual produzido pela projeção de quatro telas em quatro paredes de um cubo, dispostas no centro de uma sala. As imagens são projetadas por um equipamento de alta definição e reproduzem uma dança tapuia, que acontece em círculo.

  "Os visitantes ficam dispostos em círculo e a impressão é que a dança está acontecendo no ar, pois as telas são suspensas", afirma Parè. Os visitantes estarão, nesse momento, usando fones de ouvido com os sons produzidos durante a dança pelos indígenas.

OLFATO - A imersão vai além e permite sentir o cheiro das frutas desenhadas por Eckout. Ou melhor, quase isso. Eckhout era um dos seis artistas que participava da comitiva que acompanhou o príncipe Maurício de Nassau-Siegen durante o período de ocupação holandesa do Brasil, entre 1630 e 1654. Como tal, uma de suas funções era registrar o novo mundo. No que fez muito bem quadros de natureza morta de tipos de frutas aqui encontrados.

  "O cheiro da goiaba, abacaxi, manga e banana, retratadas pelo artistas, foram sintetizadas. Um sensor de movimento, localizado nas proximidades das telas suspensas da sala, aciona um spray como cheiro das frutas a cada 30 segundos, se alguém chegar perto do quadro", afirma Parè.

  A quebra da distância entre o real e o virtual ainda pode ser percebida no livro virtual da exposição. O livro reúne várias imagens produzidas por Barleu, artista do mesmo período de Eckhout. As imagens reais desse livro foram digitalizadas e são projetadas em DVD num suporte de papel em branco no formato de um livro. O mais interessante é que o visitante pode tocar esse livro e folhear as páginas. Quando faz isso, as imagens mudam como se o livro real de Barleu estivesse sendo manuseado.

  "Queremos e podemos formar um público que não só visite os museus, mas que seja capaz de viver sua memória iconográfica e histórica", afirma o cenógrafo Zaven Parè.








 

 
 
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