Aquiles Lopes
Da equipe do DIARIO
Os roling play games (RPG) surgiram no Brasil perto na primeira metade dos anos 80, embalados pelo estrondoso sucesso do desenho Caverna do Dragão, ele próprio baseado de um RPG. Com o boom da internet, lá pelo meio dos anos 90, os jogos ganharam versões para computador e alguns grupos passaram a ser criados na web, reunindo adeptos de várias partes do mundo. Hoje há games, como o Advanced Dungeons and Dragons, que ultrapassam a marca de 200 mil cadastrados em todo o planeta, cada um pagando US$ 7 por mês para participar das batalhas. Ou seja, a cada 30 dias os donos do AD&D recebem a "modesta" quantia de US$ 1,4 milhão.
Atualmente os RPGs estão na sua terceira geração, a da interatividade total, com aventuras capazes de reunir milhares de pessoas ao mesmo tempo, caso do Baldur's Gate, por exemplo. Antes disto, os jogos haviam deixado os tradicionais livros e tabuleiros para ganhar as telas dos computadores, mas limitados apenas às expedições solitárias.
Fanático por RPG desde os oito anos, o estudanteThiago Pedrosa, atualmente com 19, não dispensa o tabuleiro e conseguiu manter o mesmo grupo de amigos por todo este tempo. Para ele a maior vantagem do antigo formato é que o jogo sempre pode mudar de rumo, enquanto no computador os destinos já estão programados.
"Contra a máquina enfrentamos um programa, que só faz as mesmas coisas, todas as vezes", diz. O jogo preferido de Thiago é o Vampiro.
Com a estudante Marisa Selva acontece justamente o contrário: ela prefere se aventurar sozinha, lutando contra a inteligência dos softwares. Marisa começou com o pé direito, encarando o best-seler Diablo, há cinco anos. "Conheço muita coisa lendo livros com as histórias que servem como pano de fundo, considero algumas delas fantásticas".
CRIATIVIDADE - Os RPGs não tem qualquer limite para a imaginação e podem ser desenvolvidos por qualquer pessoa, desde que as regras estejam bem definidas. "É isso que fascina tanto as pessoas: a possibilidade de criar heróis e mundos diferentes", conta Jean Pierre Domingues, editor de Role Playng Games do portal Sobre Sites.
O jogador acredita que há atualmente uma maior divulgação sobre este estilo de game, por isso estão surgindo tantos adeptos nos últimos anos. Para ele, nem a polêmica envolvendo os assassinatos cometidos por jogadores vai diminuir a atração do público. "Foram fatos isolados que aconteceram, é como querer culpar todos os torcedores de futebol quando algum deles comete um assassinato. Proibir o jogo é um absurdo".