Edição de Quinta-Feira, 19 de Setembro de 2002
 
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Economia

Investimento estrangeiro cai à metade

Unctad mostra que fluxo foi 51% menor em 2001 devido a problemas econômicos do Brasil e da Argentina

SÃO PAULO - O fluxo de investimentos internacionais caiu pela metade no ano passado, arrastado pela desaceleração da economia mundial que se seguiu à crise das empresas americanas de tecnologia da informação em 2000. De acordo com o Relatório de Investimentos Mundiais em 2002, divulgado ontem pela Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), os investimentos diretos estrangeiros (IDE) atingiram US$ 735 bilhões em 2001, valor 51% menor do que o US$ 1,49 trilhão do ano anterior. Além de ser a primeira vez em uma década que o fluxo global de IDE não cresceu, a queda registrada no indicador foi a maior dos últimos 30 anos.

  Na América Latina, os problemas econômicos enfrentadas pelo Brasil e pela Argentina foram decisivos para o recuo, pelo segundo ano consecutivo, dos fluxos de investimento. A região recebeu US$ 85 bilhões em investimentos no ano passado, volume 11% menor do que o do ano anterior. Depois de quebrar o recorde histórico em 2000, quando recebeu U$ 33,4 bilhões em IDE, oBrasil viu esses investimentos caírem 36,8%, para U$ 22,5 bilhões. Na Argentina, o baque foi bem pior, cerca de 70%: de US$ 11,2 bilhões para US$ 3,2 bilhões.

  "O importante é que o Brasil continua entre os países em desenvolvimento que mais atraem investimentos estrangeiros no mundo, e deve preservar essa posição neste e nos próximos anos", disse Antônio Corrêa de Lacerda, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais (Sobeet), que representa a Unctad no País.

  No ranking dos países em desenvolvimento que mais receberam investimentos diretos, o Brasil perdeu o terceiro posto para o México (US$ 24,7 bilhões), caindo para a quarta posição. Isso se deveu, principalmente, à aquisição do banco Banamex pelo Citigroup dos EUA, por US$ 12 bilhões.

  A dificuldade em fixar preços para as companhias depois do estouro da bolha da Nova Economia, junto com a maior vigilância das agências de risco sobre as empresas não-financeiras, foram fatores determinantes também para uma queda de quase 50%no número de fusões e aquisições de empresas pelo mundo em 2001. As remessas de recursos para quitação dessas transações respondem por 80% do fluxo global de IDE. Fusões e aquisições são o meio predominante para investimentos entre empresas de países desenvolvidos.

  Otávio de Barros, conselheiro da Sobeet e economista-chefe do banco BBV, diz que o aumento da aversão ao risco mudará o perfil dos IDE no Brasil. A conversão em investimento de dívidas de filiais multinacionais com suas matrizes deve chegar a US$ 8 bilhões, quase a metade dos US$ 17,5 bilhões estimados para os IDE este ano.

 








 

 
 
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