Edição de Domingo, 4 de Agosto de 2002
 
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HUMOR Agamenon

O dólar chupado!

O socialismo acabou! O Muro de Berlim ruiu e a União Soviética se despedaçou em milhares de republiquetas de nomes impronunciáveis! E agora quem está entrando pelo cano é o capitalismo! Ano passado foi o World Trade Center e agora é Wall Street que está desabando! Eu odeio dizer isso mas o Brizola tinha razão! O capitalismo está acabando e começou justamente pela geladeira lá de casa. E o que é pior: nem me matar asfixiado eu posso mais com esse preço do gás de cozinha! E o pãozinho, que aumentou cinco centavos?! Esse aumento abusivo do pão me faz recordar a Maria Antonieta, que às vésperas da Revolução Francesa, sugeriu ao povão esfaimado: "Não tem pão, comam brioco!".

E como vai ser o mundo sem o capitalismo? Sem o livre-mercado, sem a livre iniciativa? Sem os grandes monopólios internacionais? Sem a Enron? A WorldCom? A Arthur Andersen? Sem a Nike? Sem a Casa & Vídeo? Onde é que eu vou comprar ventiladores de teto, caixas de ferramenta e armação para pendurar a minha TV na parede?

Sem o consumismo desvairado, a Humanidade vai ter que voltar aos tempos das cavernas, quando os homens eram obrigados a caçar animais e coletar impostos silvestres. Vamos voltar aos tempos do escambo da era pré-capitalista. Para poder sobreviver, serei obrigado a trocar a minha patroa, a Isaura, por um saco de feijão. Vai ser um pega pra capar! A única lei vai ser a Lei da Selva! O cidadão vai viver aterrorizado, os assaltantes vão agir à luz do dia acobertados pela polícia! Seqüestros relâmpagos e assassinatos vão virar coisas corriqueiras e os traficantes (de qualquer coisa) vão tomar conta das cidades! Tudo mais ou menos como já é hoje em dia.

AGAMENON MENDES PEDREIRA não é o Brasil mas também vai ao Fundo da Isaura, a sua patroa, pelo menos uma vez por mês

Figuraça da semana

Plebisciro Gomes

O governo cometeu um erro Tasso, a candidatura de José Serra do Caixão não sobe de jeito nenhum, nem com injeções maciças de Viagra na veia, nem com a Rita Camata dando uma mãozinha. Enquanto isso, a candidatura do Ciro Gomes está subindo mais que o gás de cozinha. Plesbiciro Gomes parece o dólar: vale muito menos do que está cotado no mercado. Ciro do Cajueiro parece um daqueles garotos guias-mirins de turismo no Nordeste: fala rápido um monte de coisas difíceis que ele decorou mas, no fundo, não sabe nada do que está falando. E o pior é que depois da explicação ele ainda fica esperando que a gente dê um trocado para ele. Ao contrário da classe artística (onde Ciro tem ótimas relações), Ciro se dá muito mal com a Imprensa. Ciro Gomes é assim: pela frente é um cara calmo, mas, por trás, é todo estourado. Assim como seus adversários, Ciro costurou uma série de alianças políticas espúrias. Ciro já fechou com o ACM, com o Collor e com o Brizola. Agora só falta o Maluf. Maspara fechar o acordo, Maluf impôs uma condição. Ciro vai ter que trocar de nome para Sírio Gomes.

Crítica

O fundo do piço!

Dr. Jacintho Leite Aquino Rêgo

A crise financeira e a alta do dólar estão deixando o meu consultório lotado de pacientes que chegam aqui desesperados, com o pavilhão reto-furicular na mão. A crise internacional, as declarações dos candidatos e o aumento do Risco Brasil provocam um enorme estresse na região lombo retal posterior, a parte do corpo humano que costuma ser a mais afetada por políticas econômicas. Outro dia mesmo fui chamado às pregas, quer dizer, às pressas, para atender nada mais nada menos que o presidente do Banco Central, Armínio Prega. Armínio tinha acabado de sair de uma reunião com o pessoal do FMI e mal podia sentar. Diante daquele quadro crítico, apliquei um vigoroso enema de Xilocaína com Lexotan para acalmar o mercado. Acredito que, depois deste procedimento clínico tópico e alguns dias de repouso, o Brasil poderá voltar ao Fundo.








 

 
 
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