Edição de Domingo, 4 de Agosto de 2002
 
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MULHERES : Elas são chefes do lar

Censo do IBGE revela que comando de 26% das famílias do País está em mãos femininas, percentual que sobe para 33% na Região Metropolitana do Recife

Jailson da Paz

Da Equipe do DIARIO

A dona de casa Lindinalva Santos Lima, 37 anos, é uma das provas de que as mulheres têm ocupado, como mostra o censo divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cada vez mais a chefia das famílias. Quatro filhos e vivendo de lavar roupas, a moradora da comunidade Bola de Ouro, em Jaboatão dos Guararapes, não conhece os dados - os quais indicam que dos 46,3 milhões de domicílios brasileiros 26% são comandados por pessoas do sexo feminino -, mas percebe o fenômeno na vizinhança, onde é comum ver mulheres como ela.

  "Por aqui são muitas como eu", assegurou Lindinalva, enquanto estendia as roupas no varal. Ela tem razão. Do quintal de sua casa, avista-se a poucos metros a residência da vendedora Marta Maria Seabra, 33, três filhos, e vivendo realidade semelhante. A exemplo das duas, dados do IBGE comprovam que aproximadamente 306 mil domicílios da Região Metropolitana do Recife (RMR) são chefiados por mulheres, representando 33% do total.

  Mas o quadro local não se resume às classes sociais pobres, estando as mulheres chefes de família em todos os segmentos. A advogada Lucidalva Nascimento cumpre esse papel há 12 anos. Período em que divide o tempo diário entre o trabalho, a administração da residência e os cuidados com o filho Caio Mário, 10. "Não é fácil", argumenta. Justificativas não faltam, sendo a cobrança de educar os filhos a de maior peso.

  Esse é ponto pacífico entre as chefes de família. A jornalista Terezinha Nunes, hoje secretária de Imprensa do Governo do Estado, não só concorda com o argumento como serve de exemplo. Durante sete anos, esteve à frente da educação e manutenção dos dois filhos - Marcelo, hoje com 18 anos, e Karina, 22. "Prover a casa qualquer pessoa pode fazer. Não precisa ser marido, nem mulher. Pode ser um parente. Complicado é cuidar dos filhos", argumenta.

MERCADO - O trabalho que abriu perspectivas para as mulheres, completou a jornalista, também impede convivência maior da família. "Vejo isso como processo natural dentro das exigências do mercado", avaliou, acrescentando que à medida que o dinheiro do marido não era mais suficiente para manter a casa, a mulher teve que ir à luta por novos rendimentos.

  Realidade que, segundo o chefe do curso de Ciências Socias da UFPE, Luiz Neto Canuto, foi sendo construída ao longo do século do XX. "No início do século passado poucos pensavam na mulher como chefe de família e em condições para competir com os homens", reforçou.

  Os que não levaram essa possibilidade a sério erraram e os dados do IBGE, que indicam haver 33% das mulheres à frente dos domicílios da RMR, não deixam dúvidas. A chefe da Divisão de Indicadores Sociais do instituto, Ana Lúcia Saboia, destacou que os índices da Região Metropolitana se enquadram no contexto brasileiro. Em todo o Estado de Pernambuco, a média é de 28,8% de domicílios comandados por mulheres, o que fica acima da média nacional (26%). No levantamento de 1992, as chefes de família representavam 21,9% dos arranjos familiares, enquantoem 1999 passaram a representar 26%.


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