Edição de Domingo, 4 de Agosto de 2002
 
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Alunos especiais expõem trabalhos

Peças podem ser vistas na Biblioteca Estadual

Em comemoração à Semana Nacional da Pessoa Deficiente, a Biblioteca Estadual de Pernambuco está servindo de galeria para uma exposição de arte bastante especial. São quadros, móveis e painéis pintados pelos alunos da Escola Especial Ulisses Pernambucano, com idades entre 14 e 28 anos, todos portadores de deficiência mental. Intitulada Memória afetiva - guardo na retina o que compôs meu coração, a mostra faz alusão à vida familiar e às imagens que fazem parte do cotidiano emocional dos estudantes.

  A exposição foi aberta na última quinta-feira e ficará em cartaz até o dia 15 deste mês. Na mostra, os visitantes poderão observar o resultado da oficina de arte e reciclagem, ministrada na escola como uma forma de colaborar para o processo de aprendizagem e convivência dos portadores de deficiência mental. Setenta e quatro alunos participaram da oficina este ano, e parte do trabalho deles durante as aulas está sendo exposta.

  O destaque da mostra é o trabalho do estudante Diógenes de Paula Lopes, 25 anos, alunoda Escola Especial Ulisses Pernambucano desde os 11. Em 14 telas e dois painéis de cinco metros, ele fez uma releitura do trabalho em xilogravura do artista plástico Gilvan Samico. "Ele retrata a natureza, animais e o homem com traços bastante simplificados. Diógenes reproduz isso nas telas, de forma bastante especial", declarou Fátima Bulcão, coordenadora das oficinas e da exposição.

  Outro aluno, Waltemir de Andrade, 17 anos, preferiu a utilização de móveis reciclados para demonstrar o seu potencial artístico. No tampo de uma mesa de madeira recuperada durante as oficinas de reciclagem, ele retrata figuras humanas em forma que se aproxima de caricaturas, mas de maneira bastante peculiar. Talvez o jeito especial de ver o mundo para o rapaz, que apresenta traços de autismo.

  Além dos trabalhos de Waltemir e Diógenes, a exposição é composta por dois painéis coletivos, outros móveis reciclados e 19 porta-retratos, confeccionados pelas mães dos alunos. "No turno em que os alunos estudam, as mães deles tambémvão à escola e participam de várias atividades, entre elas oficina de artesanato. Foi nesse espaço que elas produziram os porta- retratos, com fotos dos alunos quando crianças, todas em preto-e-branco. Também uma forma de evocar a memória afetiva", explicou Fátima.

  A Escola Especial Ulisses Pernambucano é mantida pelo Governo do Estado e existe há 60 anos. Funcionando no bairro de Santo Amaro, ela atende atualmente a 280 alunos nos três turnos. Os estudantes vão desde bebês a adultos com trinta anos, divididos em turmas que levam em consideração as faixas de desenvolvimento. A exposição, no valor aproximado de R$ 3 mil, foi patrocinada pela Alcoa Alumínio S.A.

Serviço

Exposição Memória Afetiva

Quando: até 15/08

Onde: Biblioteca Estadual de Pernambuco, no Parque 13 de Maio

Quanto: acesso gratuito








 

 
 
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