Cirurgia na criança somente deve ser feita se ela manifestar esse desejo
Roberto Cavalcanti
Da equipe do DIARIO
Com nove anos recém completados, João Vitor é uma criança normal. Freqüenta a terceira série do ensino fundamental, faz curso de línguas, pratica esportes e vive rodeado de amiguinhos. No entanto, a história nem sempre foi assim. Portador de uma má formação congênita nas duas orelhas, ele era tímido, vivia isolado e tinha dificuldades de relacionamento com as demais crianças. O distúrbio de comportamento começou a ser observado pela mãe, a professora Célia dias, há três anos. Uma pequena investigação na escola identificou o problema. As orelhas em forma de abano eram alvo de brincadeiras por parte dos colegas. A solução veio em março. Uma simples otoplastia garantiu, além da correção estética, a retomada da auto-estima do menino.
Casos como o de João Vitor são comuns. Cerca de 10% das crianças apresentam algum tipo de deformação auricular. Muitas tornam-se vítimas de apelidos constrangedores como Dumbo, orelhão ou abanador. Os resultados são, quase sempre, problemas psicológicos que podem permanecer pelo resto da vida. De acordo com o cirurgião plástico paranaense Marcos Grillo, é necessário que os pais observem melhor o comportamento das crianças que possuem deformações aparentes nas orelhas, de forma que o problema possa ser identificado o mais cedo possível. No entanto, é recomendável que só se opte pela correção cirúrgica quando a criança manifestar seu descontentamento.
recuperação - O cirurgião explica que as crianças que manifestam espontaneamente sua vontade de mudar, normalmente cooperam mais durante o procedimento e toleram melhor a recuperação. "O procedimento é simples e dura, em média, menos de uma hora. Na maioria dos casos pode-se dispensar a internação. A anestesia é local e pode ser associada a sedativos. Os cuidados devem ser maiores no pós-operatório, pois é preciso evitar traumas, principalmente na hora de dormir", esclarece.
Luciano Alves, cirurgião plástico e professor da Universidade Federal de Pernambuco, explica que as orelhas de abano podem ser decorrentes de dois problemas distintos, mas que podem ocorrer de forma associada. Geralmente as crianças apresentam hipertrofia da concha ou inexistência da anti-hélice. Nos dois casos o procedimento consiste no reposicionamento da cartilagem. "Existem várias técnicas cirúrgicas sendo utilizadas, podendo-se remover ou não parte da cartilagem. A cicatriz e imperceptível e a recuperação dura, em média, uma semana".
idade - O professor garante que o ideal é que a cirurgia seja feita após os cinco anos de idade, quando a cartilagem já está formada e os resultados tornam-se definitivos. Antes disso, há o perigo de não se obter sucesso. Nos adultos, o procedimento é semelhante e, muitas vezes, influi decisivamente na mudança de comportamento, tendo em vista que a correção estética ajuda a superar os sentimento de insegurança e reforçam a auto-estima. É comum o procedimento em adolescentes, principalmente entre os 14 e os 17 anos.
Além da correção no ângulo das orelhas em relação ao crânio, a otoplastia também é utilizada com sucesso em diversos outros casos, principalmente a microtia (orelhas em dimensões bastante pequenas) e a genesia (ausência de orelha). Além disso, pode-se corrigir os casos de orelhas dobradas, caídas, em forma de concha ou sem lóbulo. A cirurgia custa entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, já inclusa a equipe médica, e pode ser feita em Day Hospital.
Serviço
Luciano Alves - 3221.2693