Se a situação de José Serra já é difícil nos Estados onde os governadores o apóiam, muito pior está no restante do Nordeste. Maior colégio eleitoral da região, com 8,5 milhões de eleitores, a Bahia está praticamente fechada com Ciro Gomes. Principal liderança do Estado, Antônio Carlos Magalhães (PFL) declarou seu apoio incondicional ao candidato trabalhista. Conseqüentemente, todo o grupo político do ex-presidente do Senado migrou para Ciro. Estão neste barco lideranças como o deputado federal José Carlos Aleluia, o ex-governador César Borges (candidato ao Senado junto com ACM) e o atual governador Paulo Souto, que assumiu a vaga de Borges e tentará o Governo. Todos do PFL.
No palanque de Serra na Bahia há apenas duas lideranças de peso. O deputado federal Geddel Vieira (PMDB) - adversário ferrenho de ACM - e o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Jutahy Junior. Nenhum dos dois, no entanto, consegue superar o velho cacique pefelista em termos eleitorais. O Ceará é outro drama para José Serra. O tucano Tasso Jereissati deixou o Governo para disputar uma vaga ao Senado. Tasso diz que vota com seu partido, mas nunca escondeu de ninguém a simpatia por seu amigo Ciro Gomes.
Em comícios do Interior, ao lado da candidata ao Senado pelo PPS, Patrícia Gomes, Tasso jogou a fidelidade partidária para escanteio e foi flagrado pedindo votos para Ciro. No Maranhão, a ex-governadora Roseana Sarney (PFL) e praticamente todo o grupo Sarney estão com Ciro Gomes e não fazem a menor questão de esconder a antipatia contra Serra. Roseana acredita que sua candidatura a presidente foi implodida por obra do tucano. O ex-ministro Sarney Filho, entretanto, ainda se mantém fiel ao presidenciável do Planalto. Outros Estados também estão claramente contrários a Serra. José Maranhão (PMDB), que deixou o cargo de governador da Paraíba para tentar o Senado, por exemplo, apóia Lula. Em compensação, Cássio Cunha Lima (PSDB), que lidera a corrida para o Governo, está com Serra.