Edição de Domingo, 4 de Agosto de 2002
 
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Igreja pede que italianos "façam filhos"

Baixa taxa de natalidade nega fama do país e põe em risco a economia

ROMA - Estudo do Instituto Nacional de Estatísticas da Itália põe sob suspeita o mito da sexualidade dos italianos, simbolizada pela mãe cercada de filhos e o vigor paternal mediterrâneo.

  O país tem atualmente uma das mais baixas taxas de natalidade da Europa e os homens teriam uma grande parcela de culpa por essa situação. Muitos não querem mais saber de sexo.

  O problema é tão sério que até a Igreja Católica já interferiu, conclamando a população a fazer jus à sua fama internacional. Ela lançou até um slogan: "italianos, façam filhos".

  O trabalho do Instituto, conhecido com o Istat, mostra que os italianos estão, de fato, em risco de extinção. Cada família deveria ter pelo menos dois filhos para que a população atual (de 57,7 milhões de pessoas) crescesse.

  Com 544.000 nascidos e 544.094 mortos em 2001, o país registra crescimento zero. A taxa de natalidade na Itália é de 1,25.

  De acordo com estimativas do Istat, se o número de nascimentos não aumentar, a população italiana começará a diminuir em2012 e sofrerá uma drástica queda em 2030.

  Até lá, estima-se, haverá 4,5 milhões de pessoas a menos do que hoje. Em 2050 serão 5,5 milhões a menos.

  Diversos estudos sociológicos tentaram explicar o fenômeno. E um dos maiores responsáveis seria o homem italiano.

  Pesquisa realizada em 2001 pelo Centro de Estudo de Casais com 1.300 homens revela que um em cada três maridos não quer saber de sexo.

  O principal motivo do desinteresse é o estress (58% dos casos), seguido pela ansiedade (43%), o cansaço (42%) e a falta de atração pela esposa (5%).

  Outros especialistas responsabilizam a falta de incentivo social e a emancipação feminina pela situação.

  Para Marina Piazza, presidente da Comissão Nacional pela Igualdade de Oportunidades, o regime de trabalho no país é muito rígido:

  "Somos um dos países da Europa com menos empregos de meio período, com menor flexibilidade de horário e uma rede pequena de creches e escolas maternais", destaca.

  Segundo a Organização das Nações Unidas, se os italianos nãose animarem a fazer o que a Igreja pede, o número de pessoas em idade produtiva cairá tanto que será preciso receber cerca de 19 milhões de imigrantes nos próximos 50 anos para manter o crescimento econômico do país.








 

 
 
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