Baixa taxa de natalidade nega fama do país e põe em risco a economia
ROMA - Estudo do Instituto Nacional de Estatísticas da Itália põe sob suspeita o mito da sexualidade dos italianos, simbolizada pela mãe cercada de filhos e o vigor paternal mediterrâneo.
O país tem atualmente uma das mais baixas taxas de natalidade da Europa e os homens teriam uma grande parcela de culpa por essa situação. Muitos não querem mais saber de sexo.
O problema é tão sério que até a Igreja Católica já interferiu, conclamando a população a fazer jus à sua fama internacional. Ela lançou até um slogan: "italianos, façam filhos".
O trabalho do Instituto, conhecido com o Istat, mostra que os italianos estão, de fato, em risco de extinção. Cada família deveria ter pelo menos dois filhos para que a população atual (de 57,7 milhões de pessoas) crescesse.
Com 544.000 nascidos e 544.094 mortos em 2001, o país registra crescimento zero. A taxa de natalidade na Itália é de 1,25.
De acordo com estimativas do Istat, se o número de nascimentos não aumentar, a população italiana começará a diminuir em2012 e sofrerá uma drástica queda em 2030.
Até lá, estima-se, haverá 4,5 milhões de pessoas a menos do que hoje. Em 2050 serão 5,5 milhões a menos.
Diversos estudos sociológicos tentaram explicar o fenômeno. E um dos maiores responsáveis seria o homem italiano.
Pesquisa realizada em 2001 pelo Centro de Estudo de Casais com 1.300 homens revela que um em cada três maridos não quer saber de sexo.
O principal motivo do desinteresse é o estress (58% dos casos), seguido pela ansiedade (43%), o cansaço (42%) e a falta de atração pela esposa (5%).
Outros especialistas responsabilizam a falta de incentivo social e a emancipação feminina pela situação.
Para Marina Piazza, presidente da Comissão Nacional pela Igualdade de Oportunidades, o regime de trabalho no país é muito rígido:
"Somos um dos países da Europa com menos empregos de meio período, com menor flexibilidade de horário e uma rede pequena de creches e escolas maternais", destaca.
Segundo a Organização das Nações Unidas, se os italianos nãose animarem a fazer o que a Igreja pede, o número de pessoas em idade produtiva cairá tanto que será preciso receber cerca de 19 milhões de imigrantes nos próximos 50 anos para manter o crescimento econômico do país.