Game simula praga de inverno, mistura vários estilos de ação e acerta na medida
Paulo Rebêlo
especial para o DIARIO
Misture Dungeon Siege (badalado RPG da Microsof) e Baldur's Gate (considerado um dos melhores da história dos games) e você tem um jogo que representa a última palavra em RPG para se jogar sozinho ou em multiplayer. Neverwinter é feito sob medida aos fãs de RPG de tabuleiro - regras Advanced Dungeons & Dragons (AD&D) -, mas também agrada aos marinheiros de primeira viagem. Aliás, talvez o principal trunfo do jogo seja a possibilidade de agradar vários tipos de jogadores e estilos. A Bioware, desenvolvedora do game, é a mesma de Baldur's Gate.
A cidade de Neverwinter foi pega de surpresa por uma praga desconhecida que está a assolar e matar a comunidade. Poucas pessoas conseguem sobreviver e as que conseguem ficam escondidas em casa. A cura é uma incógnita, assim como as origens da praga. Boatos falam de forças sobrenaturais, teorias de conspiração no reinado ou, até mesmo, acidente em experiências mágicas. As esperanças da comunidade residiam em criaturas místicas que ficavam guardadas no castelo, mas desapareceram. A sua tarefa é ajudar a encontrar as criaturas, descobrir a origem do mal e combatê-lo.
Como todo bom RPG, para completar sua jornada você precisa contar com aventureiros, mágicos e mercenários dispostos a lhe dar uma mãozinha. A principal ajuda vem da conversa com os personagens no desenrolar do enredo, onde aos poucos vai descobrindo o que pode estar por trás dos acontecimentos. Quanto mais você se interessar pela vida na comunidade, mais missões terá. Algumas delas são secundárias e não são primordiais para completar o jogo, mas podem ajudá-lo a descobrir segredos, ganhar pontos, experiência e habilidades.
A exemplo dos jogos que seguem as regras do AD&D, a sua personalidade no jogo irá refletir na história. Você irá notar essa peculiaridade logo no início, onde serão gastos bons quinze minutos para moldar seu herói de acordo com as suas preferências, escolher a classe (guerreiro, paladino, feiticeiro ou outro), as habilidades, as perícias extras e assim por diante. Durante o jogo, muita coisa pode mudar de acordo com o tipo de abordagem que você tiver com as pessoas. Exigir dinheiro em troca de missões é lucro certo, ao mesmo tempo em que o torna pouco simpático aos demais. Enquanto ficar satisfeito apenas com um "obrigado" significa pontos e experiência, mas sempre matando cachorro a grito para comprar armas.
A jogabilidade de Neverwinter é boa, apesar de complexa aos não-iniciados. Demora algum tempo até se acostumar com a longa diversidade de comandos, ícones e teclas de atalho. O jogo pode ser repetitivo no início, mas isso passa. Uma dica é criar vários jogadores ao mesmo tempo e jogar com todos eles partindo da premissa de que você terá muito, muito tempo para Neverwinter.
O sistema gráfico do jogo impressiona pela qualidade nos detalhes e pelos efeitos tridimensionais. Peca no quesito velocidade. Uma placa de vídeo com 32 Mb e 256 Mb de RAM não é suficiente para impor performance gráfica. Mesmo com 512 Mb de RAM, a situação não melhora. Com 32 Mb de vídeo, a solução é configurar o jogo para usar texturas de 16 Mb (mínimo disponível) e diminuir o nível dos detalhes, deixando-os na opção "média". Outro defeito é o zoom limitado.
Para jogar sozinho, Neverwinter garante pelo menos 80 horas de diversão. Agora, vício é mesmo o multiplayer, quando o jogo abre espaço para a entrada de um Dungeon Master (DM).
Paulo Rebêlo (rebelo@gmx.net) é subeditor do Webinsider.com.br e correspondente da Wired.com