Sistemas eletrônicos estão mais sofisticados e eficientes graças a produtos como os sensores infravermelhos
Roberto Cavalcanti
DA EQUIPE DO DIARIO
O crescimento da violência urbana tem levado a uma verdadeira revolução no mercado de segurança. As antigas e pesadas grades de ferro, os cães de guarda e a contratação de vigilantes particulares, que até bem pouco tempo eram amplamente utilizados como alternativas para tentar manter a integridade patrimonial, estão sendo substituidos por sofisticados sistemas eletrônicos. Dos modernos sensores de presença às cercas eletrificadas, passando pelos circuitos internos de TV, o que não faltam são opções que se adaptam às necessidades dos edifícios residencial e comercial, oferecendo uma relativa tranqüilidade a proprietários, inquilinos e funcionários.
Os preços, que variam de acordo com o tipo de equipamento escolhido, do fabricante e da dimensão dos projetos, podem variar de pouco mais de R$ 500,00 até R$ 20 mil, no caso de grandes conjuntos residenciais, que necessitam de uma quantidade maior de câmeras, monitores e sensores de presença. Os especialistas em segurança patrimonial revelam que no caso dos circuitos internos de TV o custo inicial gira em torno de R$ 7 mil. Já as polêmicas cercas eletrificadas podem ser implantadas em projetos a partir de R$ 2 mil.
Avanços - De acordo com o diretor de segurança eletrônica da Transval, Paulo Fernandes, os sistemas de vigilância eletrônica têm passado por uma constante evolução, tornando-se cada vez mais eficientes e menos susceptíveis a falhas. Segundo ele, a indústria especializada tem investido no lançamento de novidades que permitem a cobertura de toda a estrutura da propriedade, dando ênfase ao perímetro externo, através da instalação de sensores infravermelhos e de cercas eletrificadas de pulso, que repelem os invasores por meio de descargas de até 0,001 mil âmperes.
Paulo Fernandes garante que o uso das cercas eletrificadas, apesar de não estar regulamentado na grande maioria das cidades brasileiras, não oferece riscos de acidentes, tendo em vista que a tecnologia aplicada inicialmente na contenção de gado em grandepropriedades rurais nos Estados Unidos e na Europa, segue rígidas normas de segurança. "Em áreas urbanas, as cercas são instaladas sobre muros de, no mínimo, dois metros de altura e sempre do lado interno, o que diminui os riscos de acidentes. Além disso, as cercas são projetadas para repelir o invasor, sendo este empurrado pela descarga elétrica e não atraído", afirma.
Controvérsia -Para o diretor presidente da Zartec Segurança, Roberto Zarzar Melo, o uso das cercas eletrificadas, apesar de eficiente, não é inteiramente seguro para a instalação residencial, sendo indicado apenas para centros de armazenamento como galpões e parques industriais. "Mesmo que não tenha sido projetado com o propósito de matar, essas cercas podem provocar acidentes, principalmente com crianças. Sempre que sou consultado sobre a instalação deste tipo de equipamento em condomínios, procuro convencer o síndico dos potenciais perigos. Quando os argumentos não convencem, prefiro perder o cliente", diz.
Roberto Zarzar Melo revela que uma alternativa barata e segura de garantir a integridade patrimonial e que vem sendo bastante solicitada pelos clientes é o uso de sensores de presença em associação com os chamados chaveiros pânico-silenciosos. O equipamento, semelhante aos dispositivos de acionamento dos alarmes automotores emitem mensagens de perigo para uma central de monitoramento o que, além de alertar a empresa de vigilância que envia uma guarnição ao local, evita a exposição dos funcionários e moradores do edifício.
O síndico do condomínio Ilha da Córsega, na Torre, Carlos Alberto de Souza, revela que a decisão de dotar os quatro blocos de sistemas de segurança eletrônica, além de evitar a invasão dos prédios, reduziu o vandalismo praticado por alguns moradores. "São mais de vinte câmeras que monitoram todas as áreas comuns, além do dispositivo pânico-silencioso, que nos possibilita mais tranqüilidade, sobretudo à noite. Estamos estudando a implantação de sensores de presença, que farão o monitoramento dos muros, reduzindo aindamais os riscos de invasão", arremata.