A historiadora Joana Dark Souza passou sete meses fora do País, participando de um projeto em Paris. Na volta, com o marido e o filho de um ano, tomou um susto com o preço dos alimentos. "Estamos achando tudo muito caro", diz ela, que antes mesmo de viajar já havia tomado algumas medidas para conter o consumo. "Primeiro, substituímos os industrializados pelos naturais. Além de fazer economia, temos uma vida mais saudável", conta.
Joana cortou enlatados, congelados, além de alguns laticínios como coalhadas e ricotas, que passou a fabricar em casa. Frutas e verduras passou a comprar na feira e até a fralda do bebê entrou na roda, sendo trocada pelas mais baratas. "Sempre variamos de mercados, em busca dos preços mais baratos. Hoje, produtos de higiene e limpeza, como papel higiênico e detergentes, além de feijão e leites, só compramos pelo preço", diz ela, que chega a gastar R$ 200,00 em compras semanais.
É claro que ainda existem pessoas que não abrem mão da qualidade do produto que consomem e preferemeconomizar em outros setores da vida doméstica. É o caso da psicóloga Wilma Emerenciano, que diz não abrir mão de produtos orgânicos, como a alface hidropônica, que custa R$ 1,09, enquanto a alface lisa normal sai por R$ 0,79 no mesmo supermercado onde faz compra.
"Pago um pouco mais por qualidade, se posso pagar por uma margarina becel light, que vale três potes da bem-te-vi, faço, pois me preocupo com a saúde", diz ela, que faz compras semanais de R$ 180,00. Por outro lado, Wilma diz que não gasta dinheiro com roupas, além disso dispensou as duas linhas de celular, uma de telefone convencional e continua levando a sério o racionamento de energia.
Wilma, no entanto, não faz parte da família representativa do Brasil. De acordo com o economista Jorge Saba Arbache, professor da Universidade de Brasília (UNB), o processo de achatamento salarial se dá principalmente sobre a camada mediana da pirâmide social, que tem 1º ou 2º graus incompletos. "O número de pessoas com esse perfil cresceu. Além disso, o desenvolvimento tecnológico desfavoreceu a criação de empregos para quem faz parte dessa massa", explica.