Edição de Quarta-Feira, 17 de Julho de 2002
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Economia

Câmbio passa por bolha especulativa

RIO - Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) demonstra que a taxa de câmbio fundamental, ou seja, que iguala os poderes de compra do Brasil à média internacional, está hoje em torno de R$ 2,10. Este valor, no entanto, está longe de refletir as cotações do mercado financeiro. Ontem, o dólar fechou cotado a R$ 2,8700, em mais um sinal de formação de bolha especulativa no câmbio.

  "A bolha traduz o movimento que está ocorrendo simplesmente devido à expectativa futura sobre o câmbio", diz Octávio Tourinho, um dos autores do estudo, que acompanhou a trajetória do dólar de fevereiro de 1999 a fevereiro deste ano.

  Durante este período, o câmbio esteve fora de linha em três momentos: em boa parte do segundo semestre de 1999 e praticamente em todo o ano de 2000, ficou abaixo da chamada "taxa fundamental", cotada, na época, entre R$ 1,80 e R$ 2. A partir de fevereiro de 2001, o dólar iniciou uma curva ascendente que atingiu o ponto mais alto no fim do ano. Neste momento, a bolha estourou e reverteu a trajetória. "O que ocorreu agora foi a formação de uma nova bolha", diz Tourinho.

  A extrema flutuação da taxa de câmbio no último ano fez com que os técnicos do Ipea, órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, elaborassem fórmulas específicas para medir a formação das bolhas especulativas, sua intensidade e probabilidade de duração.

FLUTUAÇÕES - Antes de 1999, o sistema de bandas estreitas na política cambial e as sucessivas intervenções do Banco Central no mercado evitaram a possibilidade de especulação. "A taxa de câmbio tem experimentado grandes flutuações, apesar de os fundamentos da economia não terem variado significativamente", diz o estudo intitulado Um teste de existência de bolhas na taxa de câmbio do Brasil.

  Um dos objetivos do trabalho era verificar a probabilidade de as bolhas cambiais estourarem e reverterem. Mas, segundo Tourinho, os padrões econométricos utilizados podem dar uma noção do tempo de sobrevida de um câmbio apreciado ou depreciado, mas não são capazes de prever com exatidão seu tempo de duração.

 








 

 
 
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