Ele talvez seja o menos conhecido entre os pernambucanos campeões mundiais, mas quem conheceu o volante Zequinha sabe da qualidade do ex-jogador. Ele começou a carreira na década de 50 no Auto Esporte (time extinto do Recife), passou pelo Santa Cruz, onde foi supercampeão em 57, e brilhou no Palmeiras, no famoso time liderado por Ademir da Guia e apelidado de Academia na década de 60. Era baixinho (1m66), mas suprava a dificuldade com um futebol de muita raça e técnica, além de ter extrema facilidade em aparecer na área a chutar forte.
Em 62, foi convocado para a Seleção que seria bicampeã mundial no Chile. No entanto, não teve oportunidade de jogar como titular, ficando na reserva de Zito. Mesmo assim, guarda com orgulho, até hoje, a medalha de bicampeão, que promete dar ao seu filho mais velho em breve. Aos 68 anos, Zequinha mora no Recife, no Complexo de Salgadinho, em uma casa humilde. Recupera-se de um derrame sofrido no iníco da década de 90, que o deixou com algumas sequelas físicas. Vive de umaaposentadoria, sem luxos, mas não se preocupa com o anonimato. "Tive de tudo no auge, mas a vida de jogador era diferente. Às vezes, é até bom não viver sendo reconhecido. O mundo anda violento", justifica.
Saudosista de carteirinha, ele não aprova o esquema de Felipão, cosiderando-o extremamente defensivo. Zequinha ainda é adepto do velho 4-3-3 e não se conforma com equipes atuando na retranca. "A habilidade do jogador brasileiro é inigualável e temos que aproveitar isto", explica. Em relação às diferenças entre o futebol do seu tempo, considerado a era de ouro do esporte no Brasil, e o de hoje, Zequinha é enfático. "Antigamente era muito mais bonito. Hoje, a força física é o que importa e o futebol fica mais feio". Mesmo assim, ainda identifica alguns jogadores como grandes promessas e cita o meia Kaká. "Esse rapaz tem tudo para se tornar um dos maiores jogadores do Mundo". Zequinha foi um dos poucos brasileiros a apoiar Felipão no caso da não convocação de Romário. "Nem Romário nem Ronaldo estão bem fisicamente. Não dá para levar os dois para uma Copa", disse o ex-jogador, em uma entrevista ao DIARIO antes do início da Copa.