(Atualizado no dia 26/06/2002)
 
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Informática

Intel quer menos tarifas

Barret chama o Brasil para a zona de livre comércio de tecnologia

Andrea Pinheiro
enviada especial

São Paulo - O CEO da Intel, Craig Barrett, aconselha ao nosso País a popularização da tecnologia. "O Brasil devia apostar em tecnologia da informação e telecomunicação como o faz com sua seleção de futebol". O conselho do todo poderoso da maior fabricante de microprocessadores do mundo foi dado durante uma palestra para cerca de 700 empresários na capital paulista.

  O executivo esteve no Brasil para cumprir uma agenda, que incluiu um encontro com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, para discutir a questão do valor dos impostos sobre os produtos de informática. O assunto também foi motivo de críticas durante a palestra.

  "Não é a política mais inteligente colocar impostos e tarifas sobre produtos para proteger a indústria local. Os impostos atrapalham o desenvolvimento do setor", afirmou Barrett. Ele sugeriu que o Brasil faça parte da zona global de livre comércio de tecnologia da informação. Os países participantes assinaram um acordo, conhecido como Information Techonology Agreement (ITA), que elimina as tarifas dos produtos de TI. De acordo com Barrett, mais de 50 países firmaram o compromisso com ITA.

  O CEO apresentará ao governo a proposta batizada de choque de competitividade. "Ao aproveitar alguns mecanismos da Lei de Informática, o preço final dos produtos de TI podem cair em 17% em três anos", destacou o executivo. Na palestra, Barrett falou sobre o mercado de tecnologia e o papel do Brasil no contexto mundial. "O País deve deixar de ser apenas um líder regional para assumir liderança internacional na adoção de tecnologias da informação", comentou.

  Para ser mais competitivo, Barrett sugere que o Brasil invista na capacitação de seus profissionais e em infra-estrutura. Algumas ferramentas, segundo o CEO, os brasileiros já têm, como o grande número de empresas de tecnologia e de desenvolvedores de softwares. "Essas empresas precisam sair da escala nacional para a internacional", ressaltou. Para isso, ele destacou a importância de se investir em universidades, que são locais de criação de produtos, e também nas start-ups.

  Craig Barret aposta que o futuro será marcado pelo grande número de dispositivos digitais conectados à internet, o que seria uma grande oportunidade para a realização de negócios. O cenário é ideal para o e-business, que deverá movimentar US$ 6,5 trilhões em cinco anos no mundo. Para o Brasil, a estimativa é que sejam movimentados US$ 20 bilhões, apesar de ainda estar engatinhando nessa área atualmente. O País aparece em 36º lugar no ranking das transações comerciais online, atrás do México e do Chile.

  A Intel anunciou sua adesão ao Programa Nacional de Microeletrônica, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O acordo prevê investimentos na qualificação de recursos humanos, na criação de laboratórios e no desenvolvimento de metodologias de trabalho. A companhia foi a segunda empresa a anunciar participação no programa, a Motorola foi a primeira.

  A inclusão digital também foi tema da durante a palestra do CEO da Intel, Craig Barrett. A empresa inaugurou a primeira Clubhouse no Brasil, que funcionará no Instituto Dom Bosco, em São Paulo. Até o próximo ano, mais duas casas deverão ser lançadas no País, mas os locais não foram definidos. A idéia faz parte de uma iniciativa da empresa com o Museu de Ciências de Boston e o MIT Media Lab. Já existem 54 clubes em todo o mundo, até 2005, eles deverão somar 100, num investimento de US$ 32 milhões da companhia.

A repórter viajou a convite da Intel.








 

 
 
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