O professor Newton Marques lembra que 80% do trigo consumido no Brasil são importados, o que causa impacto direto no preço do pão.
"Os cinco itens pesquisados representam um percentual pequeno no total de gastos das famílias mais ricas. Já as de renda mais baixa, consomem muitos derivados de trigo e os preços das tarifas públicas, que também carregam a variação do dólar, acabam por corroer grande parte de suas rendas", disse Marques.
O funcionário público aposentado Trajano Jardim, que recebe uma aposentadoria mensal líquida no valor de R$ 750 (R$ 890 brutos), reclama de estar sendo uma das maiores vítimas da valorização do dólar.
De acordo com o professor, Trajano é um exemplo de quem teve o poder de compra reduzido em 12% - considerando-se apenas o repasse da variação cambial na energia, telefone, gasolina, material de higiene e limpeza e o pão.
Já o efeito da alta do dólar no bolso do funcionário público Jeferson Oliveira Mota Filho foi menor: 6,8%. Ele ganha um salário mensal líquido de R$ 1.400 (R$ 1.900 brutos), quase o dobro do que ganha Trajano. Mesmo assim, já sente uma diminuição no seu poder de compra.
"Nos últimos anos estou igual ao governo, só ganho para rolar a minha dívida", disse Jeferson.
O terceiro orçamento doméstico analisado foi o da engenheira civil Eliane Barreto Costa. Ela tem um salário líquido de R$ 5.100 (R$ 7.200 brutos) e seu poder de compra foi corroído pela alta do dólar em 4,5%.
Para conseguir fugir do efeito da desvalorização nas contas da família - é mãe de três filhos - Eliane teve de abrir mão de parte do conforto que seu salário lhe proporcionava.