Edição de Domingo, 30 de Junho de 2002
 

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Cartas

Violência

  Quando é que o Estado de Pernambuco vai se livrar do estigma depreciativo de ser um dos lugares com maior criminalidade do País? A modificação deveria começar pela Ilha de Itamaracá, em cuja entrada está um presídio. Quem há de apreciar um local, onde na entrada existe um presídio? Aquilo se tornou um mito e anestesia a mentalidade do povo que perde o raciocínio e acredita ser uma prisão um local que deve estar sempre presente. Quando os mitos podem mudar para melhor o povo segue pelo mesmo caminho. Povo pernambucano, em nome do amor que vocês devotam a Santo Antonio e à Nossa Senhora do Carmo, reflitam um pouco e entendam que aquela ilha é um queijo com uma faca ao lado, em termos de turismo. Em primeiro lugar, vamos tirar o presídio dali e instalar uma escola de turismo. Construir spas, clubes, teatro, restaurantes, hotéis, centros de saúde e aprimorar os centros históricos. Vamos fazer ali um espaço para a ciranda. Limpar a ilha, arborizar a ilha, fazer a ilha florescer, construir uma aldeiaindígena para informação, um jardim botânico das plantas da praia e por aí vai, antes que ela seja vendida para algum grupo europeu e nos retirem de lá. Juca Andrade - Recife.

Protocolo esquecido

  Para quem conhece protocolo em cerimônias oficiais, nada aconteceu na reinauguração do Colégio Pernambucano. Ao secretário de Educação do Estado, Francisco de Assis, não lhe foi concedida a palavra, como se sua pasta não fosse responsável pela administração daquela obra. O cerimonial de reinauguração do Colégio evidenciou espaço ao presidente da Phillips e as mais do que manjadas histórias contadas pelo escritor Ariano Suassuna. Já para a população, o que realmente interessa saber é sobre quais políticas públicas estará atrelado o ensino naquele Colégio Pernambucano. Luis Fernandes Filho - Recife.

País desconhecido

  Fiquei chocado com a nota que li na Imprensa: a candidata Rita Camata recebeu aula sobre Pernambuco, no avião que a trouxe ao Recife. O professor foi o ex-ministro Raul Jungmann, que disse tudo o que ela queria saber durante a viagem. Isso prova que o critério "conhecer sobre a realidade brasileira" não é pré-requisito para candidatar-se a um cargo como o de vice-presidente da República. Imaginem quantas aulas essa senhora ainda terá para conhecer a realidade política deste País e os graves problemas de sobrevivência social que enfrenta o povo brasileiro. José Paulo Sobreira - Recife.

São João

  Fui, com um grupo de amigos, passar o São João no interior, em Carpina e Caruaru. Ficamos em Carpina no sábado. Foi muito bom o show de organização no pátio de eventos. No domingo, seguimos para dançarmos um forró pé de serra no Alto do Moura. Ao chegarmos, nos deparamos com engarrafamentos. Até aí, tudo bem. Tudo era festa. Ficamos muito decepcionados ao chegarmos ao Alto, porque pensávamos que iríamos ver as bandas de pífano e dançar um autêntico forró, mas foi tudo ao contrário. No Alto, parecia que estava existindo um campeonato de carro de som. No início da avenida, contava-se, pelo menos, uns seis veículo com o som na maior altura. Era uma poluição sonora incrível. Se pelo menos eles estivessem tocando um forró. Mas, pasmem, era só funk, uma porcaria só. Os organizadores deviam ver esse tipo de coisas. Estava me sentindo em Olinda. Há três anos, brincamos de Bahia e Rio de Janeiro. Com tanta bagunça, fomos para o pátio, que também não era essa coisa toda. Enfim, o que salvou nossa noite de domingo foi o show de Dominguinhos. Esperamos que melhorem toda estrutura no São João de Caruaru. Alberto Santos - Cabo/PE.

Golpe baixo

  Irresponsável, inoportuno e ilegal. Assim foi o movimento deflagrado pelo transporte de ônibus na tarde do dia 27/06. A população recifense merece mais respeito e, após um dia inteiro de trabalho, não poderia ser surpreendida com uma paralisação do transporte coletivo sem a mínima legitimidade. É certo que o direito de greve é uma conquista legítima do trabalhador brasileiro. Porém, não se deve perder de vista que existem etapas a serem observadas e negociadas pelas partes envolvidas,para que não ocorram exatamente o tumulto e a bagunça verificados no centro do Recife. Gabriel Fernandes - Recife.

Estacionamento

  O estacionamento frontal do prédio onde ficam as empresas Telelista e Gruponove, entre outras, na avenida Abdias de Carvalho, está privatizado pela Engefrio, que ocupa o andar térreo e impede que as vagas sejam ocupadas por pessoas que não sejam seus clientes, mesmo que estejam livres. O problema é que o estacionamento fica numa área de calçada e, por esse motivo, deveria ser de uso público ou ao menos socializada com as demais empresas que ocupam o prédio, pagam condomínio e sentem-se prejudicadas com a privatização da área. Seria bom se o Detran e a EMTU se posicionasse em relação a essa falta de cidadania e política de boa vizinhança da Engefrio. Arnaud Mattoso - Recife.

Os leitores continuam reclamando contra os elevados índices de violência no Estado. A Copa do Mundo leva milhares de torcedores a acreditar que, hoje, o Brasil será pentacampeão, na Coréia do Sul, quando enfrentar o time da Alemanha. Os buracos começam a fazer com que os motoristas e pedestres percam a cabeça, acusando a Prefeitura do Recife de completa omissão em relação ao problema. As eleições começam a provocar interesse nos leitores. O desgaste das escadarias que dão acesso à beira-mar de Boa Viagem também ganhou destaque.

Carta ao leitor

Ricardo Leitão
Diretor de Redação

Espionagem, grampos e coincidências

Para o bem da saúde da frágil democracia brasileira, reserva-se agora à História a crônica das intervenções dos militares nos acontecimentos políticos do País. Eleições, contudo, têm o poder de alvoroçar os porões. E se nos quartéis, ao que se sabe, são revigorados o profissionalismo e o respeito à Constituição, em outros braços armados do Poder persiste a sombra da ilegalidade.

  Na semana passada, como noticiou o DIARIO, foram os eleitores brasileiros cientificados dos mais recentes sucessos do Departamento de Polícia Federal (DPF). Valendo-se de documento falso, delegados e agentes, servidores públicos subordinados ao ministro da Justiça, abriram em dezembro de 2000 investigação secreta sobre Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à Presidência da República. Suspeita: enriquecimento ilícito, de acordo com suposta acusação de um ex-prefeito de São Bernardo do Campo (SP), identificação que se provou depois igualmente falsa. A investigação se estendeu por 18 meses e nada provou. Mas deu cobertura à espionagem oficial, até quarta-feira passada, do principal candidato da oposição ao Governo, em período decisivo para a largada da campanha presidencial.

  Também falsa foi a justificativa usada pelo DPF para obter da Justiça autorização de grampo em telefones de filiados do PT em cargos na prefeitura de Santo André (SP). O delegado federal alegou que havia indícios de ligações dos investigados com o narcotráfico. O grampo, no entanto, serviu na verdade para revelar esquema de propina na prefeitura, denunciado pelo Ministério Público e, de imediato, transformado em arma tucana contra os dirigentes petistas.

O editorial do DIARIO de sexta-feira traduz a gravidade da manobra: "(...) Quando um órgão posto no ápice da instituição policial não teme afrontar o direito à privacidade, mediante falsos pretextos submetidos à apreciação do Poder Judiciário, é o próprio Estado que decai na confiança pública. Não há como evitar que se fixe na consciência do povo a suposição de que, noimbróglio, se embute conspiração eleitoral contra as ambições políticas do PT na sucessão presidencial".

  Aos que rejeitam conspirações, mas acreditam em coincidências, vale lembrar os desdobramentos políticos dos anteriores sucessos do DPF no Maranhão. Por feliz obra do acaso, os agentes federais devassaram o escritório da empresa da governadora Roseana Sarney exatamente no dia em que lá se encontrava R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo. Coincidentemente, a fotografia das 26.800 notas de R$ 50,00, empilhadas em pacotes, foi distribuída à Imprensa no mesmo dia em que o PFL rompeu com o Governo e confirmou o apoio à candidatura de Roseana. A candidatura pefelista implodiu. Semana depois a Polícia Militar maranhense invadiu base secreta do DPF em São Luís, dotada de sistema de escuta telefônica capaz de varrer toda a área da capital - inclusive o prédio que sedia a empresa da governadora.

  O Ministério Público de São Paulo abriu investigação sobre os procedimentos dos federais na arapongagem contra Lula e na burla do Judiciário no caso do grampo da prefeitura de Santo André. Deverá ser convocado a depor Agílio Monteiro Filho, diretor-geral da DPF quando foram autorizadas as duas ilegalidades. Será fácil localizá-lo. Candidato a deputado federal pelo PSDB, disputa no momento o voto tucano em Minas Gerais. Mas, evidentemente, trata-se de simples coincidência.

  Até o próximo domingo.








 

 
 
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