Alta do dólar pode forçar outras empresas seguirem decisão da Gol
SÃO PAULO - A Gol anunciou ontem reajuste de 7% no preço das passagens nos seus aviões em todas as linhas. O índice está relacionado à alta do dólar, ao aumento no preço do querosene de aviação e ao dissídio coletivo dos aeroviários e aeronautas.
Foi o maior reajuste já feito pela Gol, mas o menor do setor até agora. Neste mês, as suas principais concorrentes (Varig, Vasp e TAM) aumentaram os preços em 8%.
A desvalorização do real deve provocar outro aumento nas tarifas das demais companhias aéreas. Segundo o presidente da TAM, Daniel Madelli Matin, cerca de 40% do custos das empresas são definidos pela moeda americana.
"A desvalorização do real foi forte e parte disto vai ter de ser repassado para o preço ou as empresas terão de aumentar a produtividade", disse ele após uma reunião com o ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, na qual foi discutida a crise no setor.
O anúncio da Gol já era esperado no mercado, uma vez que a alta do câmbio afeta fortemente as companhias aéreas, que têm 40% dos custos atrelados ao dólar.
Seus executivos adiaram por vários dias a definição sobre o reajuste porque a empresa funciona fundamentada na tarifa mais atraente.
A Gol iniciou suas atividades em janeiro de 2001 e está com 15 aeronaves Boeing, atendendo 20 destinos.
Ela obteve no mês passado 12,16% do mercado e está empatada com a Vasp na disputa pelo terceiro lugar entre as maiores companhias aéreas domésticas, atrás de TAM e Varig.
Analistas de bancos que acompanham o setor de aviação afirmam que novos reajustes podem ocorrer se o dólar continuar no nível em que está. O problema é que as companhias têm despesas em dólar e faturamento em reais.
A única empresa que tem importante receita em dólar é a Varig, principal companhia nacional no exterior, que teve 88% de participação de transporte internacional em maio.