(Atualizado no dia 29/05/2002)
 
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Saúde

Leucemia Medicamento traz novas esperanças

Droga age diretamente sobre as células leucêmicas

Roberto Cavalcanti
Da equipe do DIARIO

Após três anos de pesquisas com mais de mil pacientes em 16 países, um novo medicamento, lançado pelo laboratório suíço Novartis e distribuído gratuitamente pelo Ministério de Saúde, desde outubro do ano passado, vem reacendendo as esperanças de cura para os portadores da leucemia mielóide crônica (LMC). A doença, considerada comum pelos especialistas e que tem no Glivec uma poderosa arma de combate ao cromossomo filadélfia, responsável pela alteração celular, representa 14% de todos os tipos de leucemias e só este ano deve matar cerca de 7,5 mil brasileiros, segundo o Instituto Nacional do Câncer.

  De acordo com a hematologista Érika Coelho, a nova droga identifica e age diretamente sobre as células leucêmicas, preservando as saudáveis, o que é considerado uma grande vantagem quando comparada a outros métodos de controle da doença. "Além disso, o Glivec tem apresentado índices de cura superiores a 60%, quando ministrado na fase inicial da doença que afeta 1,6 pessoas a cada grupo de cem mil habitantes. Já nos transplantes de medula óssea, os índices de cura são inferiores a 50%, sem falar na dificuldade de se conseguir doadores compatíveis", diz.

  Os estudos do novo medicamento, apresentados na Reunião Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, há duas semanas, demonstraram, que em apenas seis meses, 54% dos pacientes tratados com o remédio ficaram totalmente livres das células cancerígenas, contra apenas 3% dos submetidos aos tratamentos tradicionais. Isso significa uma diferença de 51% a mais nas chances de sobrevida dos 4,4 mil brasileiros que terão a doença diagnosticada apenas neste ano. No que diz respeito aos graves efeitos colaterais, eles só foram apresentados por 1% dos pacientes. Índice pequeno se comparado aos 19% da incidência das reações desenvolvidas pelos doentes submetidos aos medicamentos tradicionais.

  Em Pernambuco, onde não existem estatísticas precisas quanto a incidência da doença, que acomete com mais freqüência pessoas entre 50 e 60 anos, cerca de 20 pacientes vêm sendo tratados com o Glivec, dos quais dez recebem gratuitamente o medicamento através do Sistema Único de Saúde. A expectativa da diretora Geral do Hemope, Alita Azevedo, é de que a cada mês dez novos pacientes sejam beneficiados com o tratamento, bem menos agressivo do que os transplantes de medula óssea e as altas doses de Interferon, até há pouco os únicos meios de conter a doença. No entanto, pelo custo elevado, o Glivec só é utilizado quando não há doador compatível ou o paciente apresenta rejeição ao Interferon.

  A hematologista Érika Coelho revela que o tratamento de um único paciente na fase crônica da doença custa ao SUS R$ 4,7 mil por mês. Na chamada fase acelerada, esse valor sobe para R$ 6,2 mil. Isso, porque o Governo isenta a fábrica do pagamento de tributos como o ICMS. Para os planos de saúde, que têm sido obrigados pela Justiça a arcarem com o tratamento, o gasto mensal por paciente é de R$ 9 mil, referente a uma caixa com 120 comprimidos. "Mesmo com um custo extremamente elevado, é possível que nospróximos cinco anos o uso do Glivec passe a ser a primeira alternativa de tratamento para a doença, passando a frente dos transplantes e do Interferon", acredida.

  Usuário do Glivec desde outubro de 2000, o empresário Flávio Antônio Sobral, de 56 anos, afirma que em pouco mais de um ano o número de células sanguíneas com cromossomos filadélfia positivo caiu de 100% para apenas 2%. Segundo ele, o medicamento era a única alternativa para o controle da doença, pois seu organismo não respondia ao tratamento com o Interferon nem havia doadores compatíveis na família. "Como a taxa de queda no número de células sanguíneas com câncer era de 6% ao mês e meu último exame foi em março, acredito que hoje já deva estar curado, o que representa uma grande vitória", acentua.








 

 
 
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