Soluções que prometem cativar o humor dos funcionários e segurar a produtividade durante a Copa do Mundo
Cleide Galdino
Da equipe do DIARIO
Os brasileiros não conseguem ficar indiferentes à Copa do Mundo de Futebol. Mesmo os mais desinteressados pelo esporte sentem um certo frisson quando a Seleção Brasileira entra em campo. A dimensão do evento, amplificada pela mídia, acaba mexendo também com a rotina das empresas. Vai ser difícil segurar a adrenalina dos funcionários e as baixas de produtividade nos dias dos jogos da canarinha. Resultado: muitas empresas decidiram entrar no clima. Escritórios enfeitados, camisas e bandeiras a postos, a ordem é chegar mais cedo (quando a partida começar às 6h) e aproveitar as facilidades que algumas corporações estão oferecendo para que seus empregados assistam ao jogo sem comprometer a entrada no trabalho.
Televisão na cozinha e alteração na escala de horários foram as primeiras providências que o gerente-geral da churrascaria Boi Preto, no Pina, Valdemir Baldissera, fez questão de adotar para possibilitar o acompanhamento dos jogos do Brasil pelos seus funcionários. "Não há como não abandonar, pelo menos por alguns minutos, as normas rígidas da empresa e dar uma olhadinha no jogo. O mundial só acontece a cada quatro anos. Nenhuma empresa vai quebrar por causa disso", argumenta. Nesta segunda-feira, com o jogo começando às 6h, os funcionários do setor administrativo da Boi Preto só iniciam o expediente às 9h.
A Total Distribuidora, por sua vez, organizou um café da manhã festivo em um buffet próximo da sua sede, com direito a telão, para que seus funcionários não deixem de acompanhar os dribles da Seleção antes de começar o trabalho. "O ideal é que as pessoas assistam ao jogo na empresa, para evitar problemas de horário e trânsito", diz o diretor da Total, Paulo Perez, que distribuiu camisas padronizadas para o seu pessoal torcer à caráter.
Igualmente felizes estão os funcionários da Dislub. Eles foram alvo de uma campanha da empresa que forneceu três mil camisas com padrão oficial da Seleção aos empregados. Nos dias em que os jogos forem na parte da manhã, o pessoal da área administrativa só vai precisar chegar ao escritório às 11h. "Além das olheiras e do sono dos que assistirão aos jogos de madrugada, teremos que administrar dias muito improdutivos durante a Copa, pois após as partidas, gasta-se, no mínimo, mais duas horas discutindo cada lance. Mas é preciso entrar no clima", lembra o diretor da Dislub, Humberto Carrilho.
atrasos - Na loja Branner, no Centro, os funcionários terão tempo de assistir ao jogo em casa, pois o expediente nesta segunda-feira, só vai começar às 9h30. "No sábado, vamos colocar TV na loja", garante o diretor comercial Esaú Catão. Nas outras seis unidades da rede, localizadas nos shoppings, o trabalho só terá início depois do jogo ou como decidirem as administrações dos centros de compra.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL), Fernando Catão, garante que nenhum funcionário do comércio será punido se chegar um pouco atrasado no sábado, dia 8, quando a Seleção vai entrar em campo às 8h30. "Trinta minutos de atraso não vão fazer diferença numa ocasião tão importante", diz Catão. Segundo ele, independente da hora em que as lojas do Centro começarem a atender, no sábado que antecede ao Dia dos Namorados, o expediente só vai terminar mesmo às 18h, ao invés de ser às 14h, como de costume. A CDL vai instalar, na rua Nova, um telão de alta definição, com quatro metros de altura e quatro metros de comprimento, com direito a banda para chamar a atenção de todo mundo.
Facilidades à parte, a Telelista, editora de listas telefônicas, aproveitou o mundial de futebol para trabalhar principalmente aspectos motivacionais junto aos funcionários. A empresa organizou um minicampeonato de pênaltis durante a Copa, para distribuir prêmios em dinheiro aos seus colaboradores. "Cada um terá direito a fazer cinco cobranças e os prêmios variam de R$ 20,00 a R$ 250,00", diz o gerente regional da Telelista, Carlos Alberto Fernandes. Segundo ele, todos os vendedores que bateram suas metas de produtividade na atual campanha de vendas participarão, ainda, de um sorteio de três carros novos. "Vou treinar bastante para acertar os pênaltis e torcer mais feliz pelo Brasil", assegura o vendedor Roberto Ferreira, 42 anos, elogiando a maneira que a empresa encontrou para integrar os funcionários durante a Copa.