Depreciação média de um automóvel com um ano de uso é três vezes maior do que há dez anos
Iúri Moreira
Da equipe do DIARIO
Há cerca de dez anos, o brasileiro que queria comprar um automóvel tinha duas opções: carro novo ou usado. Naquela época, vendia-se mais usado do que zero quilômetro, inclusive. Hoje, o panorama mudou. Com o advento dos chamados populares, a maior parte dos antigos consumidores cativos de seminovos puderam adquirir veículos novos, em suas versões mais baratas. Com isso, o mercado de usados se retraiu, e precisou se adequar à nova realidade.
Se o preço do carro zero caiu, o do usado despencou. Segundo Sérgio Oliveira, proprietário da Chaves Automóveis, um modelo com um ano de uso, há uma década, tinha uma depreciação média de 10%. Hoje em dia, esse valor pulou para a casa dos 30%. A explicação, segundo ele, é simples. "Naquela época, tinhamos ágio e inflação, que jogavam o preço do usado lá para cima".
Assim, o preço do usado muitas vezes era proibitivo às aspirações mais modestas. "Em determinados períodos, acontecia casos da gente comprar o carro novo, rodar durante um ano, e depois vender ainda mais caro", lembra, com saudades.
estatísticas - Dados da Associação dos Revendedores de Veículos do Estado de São Paulo (Assovesp), mostram que as vendas de carros usados caíram 18,6% no ano passado. Ainda assim, esse resultado foi o segundo melhor da história do setor. Ao todo, foram vendidas 657.551 unidades, volume só inferior ao de 2000, quando somou 807.754 unidades.
No mesmo período, a comercialização de automóveis e comerciais leves novos cresceu 9,5%, totalizando 1,5 milhão de unidades, segundo dados de emplacamento colhidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave). Do total de carros usados vendidos no ano passado, 65% foram de modelos populares. Já a participação desse segmento nas vendas de modelos zero-quilômetro foi de 75%.
O alto percentual de participação dos modelos populares, tem explicação, ainda segundo Oliveira. "Além do preço, hoje em dia, os populares estão tão elitizados quanto os carros de luxo. Você tem direção hidráulica, ar-condicionado, vidros e travas elétricas... Estamos caminhando para o que acontece nos Estados Unidos, quando um bom automóvel com cinco anos de uso é vendido por qualquer trocado", explica.
produção - De acordo com o consultor Almir Couto Jr, o mercado já absorveu essa transformação. "Hoje em dia as pessoas já se familiarizaram com o fenômeno. É diferente, por exemplo, da época em que a produção das montadoras era pequena, e faltava carro. Não só a produção é grande, o que barateia o produto, como o leque de opções é muito grande", analisa. Acaba sobrando para o veículo usado. "Quem tiver um bom dinheiro guardado e for esperto pode fazer um excelente negócio", avisa.
Segundo Maurício Filho, gerente da Bonanza Veículos, muita gente já está descobrindo essa alternativa, mas é preciso ficar de olho na melhor época para fazer negócio. "Tudo é uma questão de mercado pois, dependendo da oferta e procura, os preços podem ficar ainda mais interessantes. "Pelo preço de um Celta zero pode-se comprar um Tempra 99, uma perua Ford Escort 98, um Corsa Sedan 98, exemplifica.