Michael Atkinson é firme na sua argumentação. Para ele, Veludo Azul é, além de uma obra-prima orquestrada por David Lynch, o maior filme americano dos anos 80. E as razões para embasá-lo são dadas logo nas primeiras páginas do livro que escreveu.
Atkinson defende a tese de que o filme constitui o rito de passagem da infância para a maturidade sexual do protagonista Jeffrey (Kyle MacLachlan, para muitos o alter ego de Lynch) e a expurgação dos traumas do cineasta. É um psicodrama mais potente, profundo e contudente do que dezenas de sessões de análise.
O autor faz mais do que esboçar teorias sobre a simbologia lynchana: compara o roteiro original com o que chegou à tela, fornece dados biográficos do diretor, detalhes sobre sua obra e as diversas reações que dela se originam. Se você não viu o filme, corra para alugar. O livro completará a experiência de deparar com orelhas cortadas e cantoras misteriosas.
Veludo Azul, de Michael Atkinson, 104 páginas,
editora Rocco, R$ 18,00