Edição de Sábado, 1 de Junho de 2002
 
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Sofrimento no Recife

Antes do início do segundo tempo, Remi Lemarié, de seis anos de idade, ainda acreditava que a Seleção da França reverteria o placar contra o Senegal, na partida de abertura da Copa do Mundo. Mas com o passar do tempo, o pequeno francês, ainda desacostumado a derrotas, preferiu voltar a brincar de autorama com o irmão Thomé, de 4 anos. Enquanto os carrinhos davam voltas, os ponteiros do relógio também não paravam e a ansiedade sobre uma possível reação francesa ficou para o pai dos garotos, o comerciante Patrick Lemarié, que viu o tempo e a seleção senegaleza passarem pela França.

  Mas nem todos os franceses que moram no Recife pareciam ter entrado no clima da competição. O consulado francês, por exemplo, nem parou suas atividades para assistir ao jogo. O cônsul geral da França, Christian Mareschal, não quis nem falar sobre o assunto. Os poucos funcionários pernambucanos que trabalham lá acompanharam apenas o primeiro tempo da partida e depois voltaram a seus respectivos postos.

  Só que, para Patrick, diade jogo da seleção francesa é sagrado. E para expressar sua paixão pelos Les bleus, Patrick - que por causa de sua atividade foi deitar tarde na noite anterior - não mediu esforços para ver seu time em ação. Acordou cedo, vestiu a camisa da França e foi para frente da televisão. Há dois anos morando no Recife, o dono da Creperia Montmartre se mostrou um verdadeiro técnico e sofreu com a derrota do seu time logo na abertura da Copa. "A equipe sentiu falta do Zidane. O Djorkaeff não substituiu muito bem o Zidane. Mas vamos acreditar que alguns seleções que já foram campeãs mundiais também perderam em jogos de estréias na Copa do Mundo", frisou.

  Mas o fato de já ter visto outras seleções, tidas como favoritas, perderem na estréia do Mundial, não atenuou a preocupação de Patrick. Ele está consciente das dificuldades para passar por Uruguai e Dinamarca. "Temos jogos difíceis pela frente. No próximo confronto nós ainda não contaremos com Zidane. Vai ser complicado para a França", analisou. Apesar de estar distante do seu país de origem, Patrick sempre procurou acompanhar o desempenho de sua seleção. "Assisti a maioria dos jogos da França pela TV a cabo e sou do tipo que vibro com as conquistas da minha seleção. Desta vez, não foi possível. agora é agüentar a provocação dos amigos. Daqui a pouco o telefone começará a tocar", falou.


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