A polêmica em torno da não-concessão do visto de entrada para o Japão a Diego Armando Maradona serviu para antagonizar a seleção argentina com a torcida, a organização e a mídia local. Mas foi além disso: para a equipe de Marcelo Bielsa acabou se transformando num estímulo a mais para fazer uma boa campanha. "Contra tudo e contra todos" virou o lema do time argentino, que estréia às 2h30 da madrugada de domingo, pelo horário brasileiro, diante da Nigéria, em Ibaraki. Justamente a Nigéria, rival que marcou a última atuação de Maradona numa Copa - em 25 de junho de 94, nos EUA, quando os argentinos venceram por 2 x 1, mas o ídolo foi pego no exame antidoping e suspenso pela Fifa.
"Sinceramente, não deu para entender a política (do serviço de imigração) japonesa. Eles dizem que não podem dar o visto porque Diego teve problemas com droga. Mas, pelo que sei, foi aberto um processo por porte de entorpecente há mais de dez anos e ele está se submetendo há um bom tempo a tratamento para se livrar do vício em Cuba", disse o atacante Gabriel Batistuta, 33, um dos remanescentes da Copa-94. "Se todo ser humano merece uma segunda chance, por que não ele? Ainda mais que, na minha opinião, se Diego fez algum mal, foi a ele próprio, diferente de outros casos", acrescentou. Por outros casos, entenda-se, por exemplo, o bombardeio de Hiroshima e Nagasaki no final da Segunda Guerra.
Na parte tática, paira ainda indefinição sobre a dupla de ataque titular para o jogo de domingo. Com Caniggia se recuperando de contusão, Batistuta e Crespo disputam uma vaga. O outro atacante deverá ser Claudio López.
NIGÉRIA - Em 1998, na Copa da França, não havia união, muito menos espírito de grupo. Agora, dizem os nigerianos, é diferente. Antes de cada treino, o time se reúne no centro do gramado e, durante mais de cinco minutos, reza, pedindo proteção aos céus. E que as brigas do Mundial passado não voltem a atormentá-lo. "Na França, perdemos para nós mesmos. Houve muitas brigas, cada um queria ser melhor que o outro, além dos desentendimentos com o técnico [na época Bora Milutinovic, hoje na China", disse Celestine Babayaro, remanescente da equipe campeã nos Jogos de Atlanta, em 1996, e que venceu primeiro o Brasil e depois a própria Argentina na decisão. Para afastar os "ovos podres", o técnico Adegboye Onigbinde, que assumiu a seleção em fevereiro, não levou à Copa dois dos maiores ídolos nigerianos - Sunday Oliseh e Finidi George -, conhecidos por provocarem um clima de discórdias no elenco.
Tida como azarão em sua chave, aquela que é considerada a mais difícil do Mundial, Onigbinde diz estar convicto da classificação nigeriana para as oitavas-de-final. "Montei um esquema ofensivo, vamos chegar até com cinco atacantes e surpreender quem não aposta na gente", afirmou ele.