(Atualizado no dia 20/05/2002)
 
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Moda é muito mais que glamour

Mercado se amplia com empresas de confecções, malharias, indústrias têxteis e ateliês de novos estilistas

Cleide Galdino
Da equipe do DIARIO

Se não lhe falta criatividade, senso estético e afinidade com tesouras, linhas, agulhas e tecidos, prepare-se, pois o mercado da criação, produção de moda e de produtos têxteis pode ser uma boa opção de carreira. Longe de ser movido exclusivamente à plumas e paetês, o setor tem sido cada vez mais envolvido por duas palavras mágicas: empreendedorismo e profissionalização. Do técnico que opera os teares aos estilistas renomados, a formação tem se consolidado como a mola mestra de uma indústria que agrega trinta mil empresas e 1,4 milhão de profissionais no Brasil. De 1999 a 2000, segundo números do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), somente o segmento industrial do setor, teve um aumento de 140% no nível de empregos. Em 2001, o faturamento das empresas em Pernambuco chegou a R$ 500 milhões.

  O mercado, em franca expansão, fez com que o Senai criasse a Faculdade Senai-Cetiqt (Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil), no Rio de Janeiro, com os cursos superiores de Engenharia Industrial Têxtil e de Design de Moda, que ainda estão formando as suas primeiras turmas. Através de vestibular, que este ano também será aberto para Pernambuco, os candidatos têm acesso anual a sessenta vagas de Design de Moda e 35 de Engenharia Têxtil.

  "Temos ainda cem bolsas para custear a acomodação de estudantes que moram em outros estados", explica o secretário acadêmico do Senai-Cetiqt, José Roberto dos Santos Gomes. Com a bolsa, além da mensalidade, que varia de R$ 300,00 a R$ 350,00, o aluno paga uma taxa mensal de apenas R$ 50,00 para ficar hospedado no alojamento do Senai durante todo o curso. Para ter chance de conseguir a bolsa, porém, ele tem que ser indicado por uma empresa do setor, que empregue mais de quinhentos funcionários no estado em que mora.

  Quem não quiser ir tão longe, pode viajar até Fortaleza e encontrar na Universidade Federal do Ceará (UFC) o único bacharelado do Nordeste em Estilismo e Moda reconhecido pelo Ministério da Educação, em uma instituição pública de ensino. Os candidatos que optarem pelo curso ainda podem se beneficiar com os estágios curriculares e extra-curriculares, que têm remuneração variando entre R$ 300,00 e R$ 480,00, dependendo da empresa.

  

carreira - "Depois de formados, boa parte dos profissionais viram consultores de pequenas e microempresas de confecções da região e conseguem ter mais de uma renda", assegura a coordenadora do curso, Araguacy Filgueiras. Outros, se mudam para o Sul e Sudeste e fazem carreira em grandes malharias. No Ceará, um estilista em início de carreira ganha, em média, de R$ 1,5 mil a R$ 2,5 mil. Se ele passar a ser gerente de desenvolvimento de produtos de uma empresa, o salário pode variar de R$ 5 mil a R$ 8 mil. O curso da UFC ainda proporciona conhecimento específico na área administrativa e de organização de empresas, estimulando o empreendedorismo.

  É justamente essa base empreendedora que o estilista pernambucano Eduardo Ferreira, 33 anos, lamenta não ter adquirido em um ambiente acadêmico. "Sou um autodidata, tenho aprendido tudo no dia-a-dia ", define-se. Gozando de projeção nacional e internacional, Eduardo está há sete anos no mercado, depois de ter trabalhado com Beto Kelner, fazendo criação, gerência de produtos e vitrines. Hoje, ele tem o seu próprio atelier, sete funcionários diretos, produz trezentas peças/mês e se prepara para abrir uma butique com o objetivo de consolidar ainda mais a clientela. Sua freguesia é exigente e inclui desde butiques do Sudeste até magazines novaiorquinos. "Fazer moda é muito caro. Por isso tudo que ganho, tenho que investir no negócio", diz o estilista/empresário, preferindo não falar de lucros.

  Como Eduardo Ferreira, que foi revelado em 1995, no Phytoervas Fashion, em São Paulo, o estilista recifense Gustavo Silvestre, 24, também se consagrou depois que recebeu o prêmio do Brasília Moda Shopping, no ano passado. Gustavo, considerado precoce por se interessar por moda desde a infância, já passou por cursos de formação no Senac, fez um ano de capacitação na La Accadenia, em Firenze, na Itália, trabalhou com figurino de teatro e, hoje, é dono da grife Suprema Corte, com um atelier nas Graças. "Estou me profissionalizando há cinco anos e nem penso em parar de estudar", diz o jovem estilista, que já virou, entre outras coisas, instrutor do próprio Senac.

Serviço

Eduardo Ferreira - 3442.1285

Gustavo Silvestre - 9125.2497


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