(Atualizado no dia 07/05/2002)
 
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Cáceres

Destino é obrigatório para quem curte pesca, oferecendo em setembro o maior festival do gênero no Mundo

Roberto Cavalcanti
da equipe do DIARIO

Emoldurada por monumentos históricos de inestimável valor artístico-cultural, imponentes casarões coloniais, antigos engenhos de açúcar e fazendas de gado de corte, a pequena Cáceres, no alto Pantanal Mato-grossense, é uma grata surpresa para os que se aventuram pelas águas escuras do rio Paraguai. O passado de opulência, marcado pela efervescência comercial do século XIX, abre espaço para o turismo ecológico, que tem seu ponto alto no mês de setembro, quando se realiza o mais tradicional festival de pesca do País, considerado pelo Guinness Book o maior evento do gênero no Mundo.

  É após o ciclo das cheias, quando as águas voltam ao seu curso normal, que a tranqüila cidade, fundada em 1778, com o nome de Vila Maria do Paraguai, se transforma para receber milhares de visitantes e centenas de pescadores profissionais e amadores. Ao longo de uma semana, homens, mulheres e crianças lançam suas iscas em busca dos maiores e mais nobres peixes da região, entre eles pintados, dourados, pacus e piraputangas. Em sua23ª edição, o Festival Internacional de Pesca de Cáceres acontece, este ano, entre os dias 14 e 22 de setembro, devendo levar um público recorde à região.

  Em meio à agitação que se forma dentro e fora da água, inclusive com a presença de torcidas organizadas, os adeptos da pesca esportiva são obrigados a conciliar paciência, técnica e equipamentos de última geração, se quiserem manter um nível razoável de pontuação. Sob um sol implacável e uma temperatura em torno de 38ºC, o prazer de fisgar e tirar da água peixes de até cinco quilos espanta qualquer sinal de cansaço.

CONFORTO - A infra-estrutura é espantosa. Os inúmeros barcos de pesca esportiva que sobem e descem o rio são verdadeiras casas flutuantes. Muitos possuem freezers, camarotes com ar-condicionado, restaurantes com televisão e antena parabólica. Porém, são os pequenos barcos a motor, que permitem o acesso a áreas mais piscosas, as verdadeiras vedetes desta festa.

  À noite, nada de descanso. As ruas da cidade fervilham com o vai-vem dos visitantes. Peixes na brasa, mojicas de pintado e pacus ao forno são consumidos as centenas. Afinal, não há quem não se renda à culinária pantaneira. Para relaxar, cerveja gelada ou licor de jenipapo. Os shows de artistas locais e nacionais, além das apresentações de grupos folclóricos de Cáceres se estendem pela madrugada, levando diversão aos mais resistentes.

  Para a criançada, uma programação especial, além de cuidados redobrados com a segurança. Nas provas de pesca infanto-juvenil, por exemplo, foram adotados os anzóis sem farpas, para evitar possíveis acidentes. Também são realizadas oficinas de pesca que, no ano passado, em apenas três dias, contou com a participação de quatro mil alunos. Noções de preservação ambiental e de respeito à natureza ajudam a garantir a manutenção do equilíbrio no frágil ecossistema pantaneiro.

FAUNA - Cáceres não se resume apenas ao Festival de Pesca. A beleza selvagem da região impressiona pela diversidade de vida animal e vegetal. A cada curva do rio, uma nova surpresa. Garças, biguás, colhereiros e socos disputam espaço no alto das árvores, em busca do melhor local para construir seus ninhos. Nas baias e barrancos do rio Paraguai, capivaras e jacarés descansam ao sol. Com um pouco de sorte é possível avistar antas e cervos.

  Na área serrana, dezenas de cavernas, algumas de fácil acesso, descortinam vestígios do homem pré-histórico, encantando arqueólogos e espeleólogos. No meio da mata, inúmeros pássaros e macacos prego se lançam por entre os galhos de árvores nobres como o ipê, que proporcionam um espetáculo a parte na floração. Um banho de cachoeira também pode ser um excelente programa para os visitantes, após longas caminhadas.


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