(Atualizado no dia 01/05/2002)
 
Início Diario de Pernambuco Saúde Doenças do descaso

Cadernos

Política
Brasil
Mundo
Economia
Esportes
Vida Urbana
Viver
 

Suplementos

Revista na TV
Empregos
Viver Mulher
Viagem
Informática
Saúde
Carro
Imóveis
 

Serviços

Assinaturas e Renovações
 
Expediente
 
Edições Anteriores do Diario de Pernambuco
 
Loterias




Saúde

Doenças do descaso

Cerca de 70% dos internamentos estão relacionados às enfermidades contraídas pela ingestão de água contaminada

Editora: Lydia Barros, Editora-assistente: Lúcia Guimarães - Telefone: 3425.7843 Fax: (081) 3425.7700 - E-mail: suplemen@dpnet.com.br

Roberto Cavalcanti
Da equipe do DIARIO

Cinco e meia da manhã. O dia, pouco importa. Afinal, a cena se repete diariamente. Dona Josefa Melo, 38 anos, três filhos, percorre as ruas lamacentas da Ilha do Rato, em Olinda, em busca de água para os afazeres. Na torneira mais próxima, outras mulheres recolhem o líquido em latas de óleo, nas mais precárias condições de higiene. O que ela e muita gente não sabe é que junto com a água armazenada sob péssimas condições, também são transportados os agentes de doenças como a hepatite A, a febre tifóide, as verminoses e as salmoneloses.

  Os dados da Organização Mundial de Saúde são alarmantes. As doenças hídricas são, hoje, a segunda causa de óbitos no Mundo, perdendo apenas para as complicações cardiovasculares. No que se refere à infância, a ingestão e o contato direto com a água contaminada, assumem a liderança no número de mortes. Anualmente, entre 4 e 6 milhões de crianças menores de cinco anos vão a óbito em decorrência do consumo de água contaminada, principalmente por coliformes fecais. Por dia, são nove mil mortes, a maioria em países subdesenvolvidos das Américas, África e Ásia.

reservas - Parece um contra-senso, mas num país que possui cerca de um quinto de toda reserva de água potável do Mundo, cerca de 70% dos internamentos hospitalares estão relacionados às doenças contraídas pela ingestão de água contaminada, segundo dados do Ministério da Saúde. "É certo que as campanhas de popularização do soro caseiro ajudaram a reduzir os índices de mortalidade. No entanto, a contaminação permanece alta. Em algumas regiões, as crianças ficam expostas a uma média de seis a 12 episódios de diarréias infecciosas por ano", revela a professora de infectologia da Universidade Federal de Pernambuco, Ana Magalhães.

  Estritamente relacionadas à pobreza, à falta de água encanada e à inexistência de rede de esgotamento sanitário, as doenças hídricas são responsáveis por 80% de todas as enfermidades existentes no Mundo. As diarréias infecciosas, provocadas por inúmeros agentes viróticos ou bacteriológicos, são as maiscomuns. No entanto, a água pode transmitir ainda leptospirose, leschimaniose, rotavirose e Esquistossomose.

  Vera Magalhães alerta que, embora as maiores chances de contaminação estejam localizadas nos bolsões de miséria, até mesmo quem mora em bairros nobres está exposto aos vetores de transmissão, "Na beira-mar de Piedade, muitos esgotos correm a céu aberto, criando as condições necessárias para a contaminação por contato", afirma.

chuvas - No Brasil, seis milhões de pessoas estão sujeitas a contrair a Esquistossomose, uma das doenças hídricas mais comuns e cuja contaminação é feita através do contato com mananciais contaminados. A maior incidência nacional dessa doença é encontrada em Pernambuco. Para se ter idéia, 65% da população local tem algum tipo de contato com mananciais contaminados.

  Nos meses de chuva, de abril a julho, a incidência de leptospirose e hepatite cresce, segundo a sanitarista e gerente de epidemiologia da Prefeitura de Olinda, Márcia Marcondes. "As precárias condições sanitárias favorecem a proliferação dessas doenças, devendo a população evitar o contato com água empoçada, principais vetores de transmissão", alerta.

  As diarréias infecciosas, no entanto, são as que merecem maior atenção do sistema público de saúde. A sanitarista orienta a população que não possui esgotamento sanitário a tomar certos cuidados, como lavar os depósitos de água e nunca recolher o líquido sem ter lavado as mãos com água e sabão. "Infelizmente, são os próprios consumidores que contaminam a água que utiliza".

  A empregada doméstica Andréia Kely Duarte diz que seus dois filhos já apresentaram quadros diarréicos por terem consumido água contaminada. "Quem me ajudou a resolver o problema foram os agentes de saúde, que alertaram para a necessidade de ferver a água e de manter os reservatórios sempre fechados. Os médicos do Imip me ensinaram a fazer o soro caseiro. Acho que se não fosse isso, meus filhos já teriam morrido", arremata.


Leia Mais...

Principais doenças hídricas







 

 
 
Sua Opinião


Copyright 2001 - Pernambuco.com

Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização.
diario@dpnet.com.br