Estilistas apresentaram coleções para o outono/inverno 2002 e trabalham para desenvolver suas próprias marcas, sob a supervisão dos consultores do projeto
Lydia Barros
Enviada especial
São Paulo - A moda brasileira, decididamente, está amadurecendo. E não falamos apenas pelo que chega das passarelas, pelo interesse das tecelagens nos croquis dos criadores, pela valorização dos profissionais que cada vez em maior número saem das universidades ou mesmo pela popularização do produto final nessa selva chamada mercado. O Amni Hot Spot, realizado na última semana em São Paulo, atesta como poucos eventos esse amadurecimento. Idealizado pelo produtor Paulo Borges - o nome por traz do São Paulo Fashion Week, da Semana, da Bienal e do Prêmio de Moda - para lançar jovens estilistas, mostra que o Brasil não precisa importar modelos e, melhor, que pode aprender com os seus próprios acertos e erros.
O projeto, cuja primeira edição aconteceu em agosto do ano passado, com a apresentação de nove estilistas, prossegue com os mesmos criadores e suas propostas para o outono/inverno 2002, e somente terá seu primeiro ciclo encerrado com os desfiles da primavera/verão 2003. Ou seja, os profissionais selecionados para estrelar o Amni Hot Spot criarão cada um seis coleções, com a retaguarda de uma equipe de consultores de estilo, beleza e marketing, em todas as etapas do processo produtivo: do desenvolvimento da matéria-prima à realização e apresentação do produto. "É muito fácil lançar um estilista, mas ele pode falir antes da terceira coleção. Nós damos uma espécie de bolsa, é um Boa Noite Cinderela", explica com humor o "maestro" Borges.
O Amni Hot Spot custa cerca de R$ 900 mil por coleção, bancado por patrocínios e apoios que garantem, em média, R$ 15 mil e mais o fornecimento de matérias-primas, para os estilistas desenvolverem suas idéias. O melhor é que entre uma e outra coleção, é visível o crescimento do trabalho dos criadores e a absorção deles pelo mercado. A partir de agora, suas roupas passam a ser comercializadas num showroom montado no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, com distribuição nacional, coordenado por Preta Nascimento, uma fera do fashion bussines brasileiro, assim como os demais profissionais à frente das várias pontas da engrenagem desse projeto.
PROCESSO - A profissionalização dos estilistas passa a ser uma conseqüência natural do projeto. "Eles têm que evoluir nesses três anos", declara Graça Cabral, coordenadora de Marketing do Amni Hot Spot, comentando sobre a avaliação a que os estilistas são submetidos a cada coleção e sobre a possibilidade de desligamento dos mesmos no caso de eles não funcionarem. Uma possibilidade remota, até o momento. Paulo Borges, assim como sua equipe, é só entusiasmo. "Depois da primeira edição, logo depois do São Paulo Fashion Week,, fiquei um pouco frustrado porque percebi que estávamos no caminho errado, situa. "Começamos então a rever tudo, a nos reinventar até chegarmos a esse modelo enxuto que está aí", comemora Borges.
O Amni Hot Spot é filho legítimo do Phitoervas Fashion Week. "A diferença é que agora temos know how, profissionalismo e o mercado está amadurecido", afirma Borges. Os resultados, diz ele, estão acima das projeções dos próprios idealizadores. "Hoje, qualquer um desses estilistas tem capacidade criativa para estar no São Paulo Fashion Week", elogia Borges. Os jovens Fábia Bercsek, Marcelo Bohrer, Deoclys Bezerra, Samuel Cirnansck, Érika Ikezili, Jefferson de Assis, Emilene Galende, Wilson Ranieri e Walério Araújo, foram garimpados nas faculdades de moda do País (a excessão é Walério), depois de um processo que consumiu quase um ano.
Uma difícil seleção, considerando os critérios de "diversidade de estilos e essências individuais de talento", segundo Graça Cabral. Não estão decepcionando. Paulo Borges acaba de chegar do Japão, onde, conta ele, percebeu que "o Brasil está ficando importante para o Mundo". Ele sabe que, nesse sentido, o São Paulo Fashion Week tem papel fundamental e, por isso, diz sentir a responsabilidade redrobrada. Não por acaso, anunciou que a partir de agora vai se dedicar apenas ao SPFW e ao Hot Spot. "Trata-se da consolidação do todo e da estruturação do novo", teoriza.
O lançamento da coleção primavera/verão doAmni Hot Spot será em junho, pouco antes do SPFW, o que, na avaliação de Paulo Borges, fará com que os nove estilistas "saiam na frente" antecipando tendências. Enquanto isso, estudantes de moda do País e estilistas em geral podem ir se preparando, porque até o final deste ano o Hot Spot abrirá inscrições para a sequência do projeto. Antene-se.