(Atualizado no dia 03/04/2002)
 
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Saúde

Experiências compartilhadas no divã

Terapias em grupo são alternativa para a supressão dos medos e ansiedades, com base na vivência do outro

Roberto Cavalcanti
Da equipe do DIARIO

Bem mais complexas do ponto de vista técnico do que os sistemas psicoterápicos tradicionais, baseados no binômio psicólogo/paciente, as terapias em grupo têm despontado como um eficiente mecanismo para a supressão de medos, angústias e ansiedades. Através do compartilhamento das experiências individuais é possível afastar os fantasmas do inconsciente e abrir novas perspectivas para a superação de nossos limites psicólogos. Muito embora os resultados dos trabalhos estejam ligados diretamente à vitória sobre a timidez e ao compartilhamento das vivências, os terapeutas são unânimes em afirmar o alto grau de eficiência do método, principalmente em face do reconhecimento, no outro, de nossas próprias dificuldades.

  De acordo com os especialistas, nas sessões em grupo o indivíduo interage com os demais pacientes de forma que possa se perceber na experiência do outro. É o que os terapeutas chamam de espelhamento e que vem a provocar questionamentos e mudanças de atitudes. Além disso, cada integrante do grupo passaa experimentar um número riquíssimo de situações, onde pode se dar conta de sua forma peculiar de lidar com o próximo. Esta tomada de consciência amplia a percepção das nossas expectativas. Afinal, o que gera sofrimento ao ser humano está ligado a algo inadequado na maneira como ele funciona na relação com o outro.

  O psicólogo clínico Antônio Mendes revela que o segredo da terapia em grupo está no afloramento das emoções deflagradas pelos relatos de cada paciente em particular. "É um sistema de identificação. Os pacientes passam a interagir e a se tornarem reflexo das vivências particulares, questionando suas posições. Além disso, com o passar do tempo e o amadurecimento do grupo, as vivências passam a ser questionadas, dando instrumentos para que cada um possa superar suas dificuldades na relação com o outro e eliminar os sofrimentos".

  Antônio revela que nem todas as pessoas se adequam a esse tipo de trabalho, porque o grau de exposição é bem maior do que nas terapias convencionais. No entanto, o seu uso no tratamento de problemas comuns, como drogas e álcool, e em grupos específicos, como os da terceira idade, vem obtendo resultados positivos.

A aposentada Maria Rita Lima, 58 anos, diz que depois da morte do marido entrou num estado de depressão. A convite de uma amiga começou a fazer terapia em grupo e hoje já consegue lidar com diversas situações de forma mais tranqüila. "Nas narrativas dos colegas nós vamos vendo que muitas da situações que nos perturbam são comuns".

  Adepta da terapia em grupo há dois anos, a professora Gisele Oliveira é categórica ao afirmar as vantagens da técnica. "Além de proporcionar resultados rápidos, esse tipo de trabalho nos permite enxergar no outro os nossos próprios limites e dificuldades. Percebemos que os problemas são comuns e que a forma de encara-los é que os torna diferente", diz.

  Para facilitar o processo de autoconhecimento, muitos psicólogos têm recorrido à prática de exercícios em suas sessões. O terapeuta corporal Valdir Marinho, que associa os movimentos como trabalho analítico, explica que o corpo pode dizer muito sobre as pessoas e que o uso de alguns movimentos coletivos ajudam no processo de descoberta. "Após os exercícios cada integrante faz um relato de como se sentiu, permitindo saber a origem desse sentimento e buscar o que está por trás das reações", acentua.








 

 
 
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