(Atualizado no dia 07/04/2002)
 
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Como os veteranos encaram a fama fugaz dos reality?

artistas lamentam sucesso repentino dos programas que enjaulam pessoas, lançando-os como estrelas da tv

Entre as muitas pérolas que Kléber, o Bambam, soltou no Big Brother Brasil, em uma conversa, o bailarino disse que, depois do BBB, não se submeteria a testes para programas porque agora já é um artista. Mas o que será que aqueles que estudaram, batalharam e hoje somam anos de carreira na profissão acham destes chamados shows da vida real que, da noite para o dia, lançam novos "concorrentes" no mercado?

  Para Miguel Falabella, estes anônimos ganham o estrelato, mas não saem para uma carreira. "Eles vivem apenas seus 15 minutos de fama. Este é o grande barato. Acho que o momento é de se discutir para entender o que leva as pessoas a se interessarem por este tipo de programa. Não podemos só atacar. É um período de transição e deve ser visto como tal".

  Antônio Fagundes não vê concorrência por também apostar que o sucesso destas produções é passageiro. "Eu mesmo dei uma olhada, achei interessante, mas depois não vi mais. A tendência é desaparecer", afirma o ator. "Mas não vejo concorrência. Cada um tem seu nicho, seu espaço". A torcida de Lima Duarte é para que esta onda passe logo e que "se volte a fazer uma televisão melhor". O ator cita, inclusive, uma mensagem que leu há pouco tempo. "O texto dizia: Durante um inverno rigoroso, uma manada de porco-espinho se junta para escapar do frio, mas os espinhos incomodam e eles se afastam". Se estivessem televisionando o espinho de cada um, seria interessante. Mas as pessoas começam a criar tipos e, como não são artistas, se perdem. A vida real a gente vê nas ruas. O que o público quer é a fantasia, com uma pitada de realidade.

A ingenuidade de Kléber e a cena de seu choro por uma boneca feita de sucata chegou a comover até Joana Fomm. Mas ela acredita que o forte da televisão brasileira ainda é a dramaturgia e torce para que a moda dos reality shows seja passageira. "O que nos deixa mais aflitos é que é uma febre mundial e que os participantes fazem tudo por um dinheiro que deveria ser conseguido através de trabalho", observa a atriz.

  Há também os saudosistas datelevisão de outros tempos, como Gracindo Jr. Ele lembra que, nos anos 80 e 90, havia produtos mais criativos, com conteúdo cultural. Segundo o ator, o interesse comercial não anulava a visão de se fazer verdadeiras obras de arte na TV. "Hoje, a intenção é só de mercado. Estes programas têm custo barato, não há autores, já que não precisam de roteiro; os participantes são personagens e, portanto, não precisam de atores. Isto cria uma banalização do próprio veículo", lamenta Gracindo Jr..

  Mais confiante, Eva Wilma acha que a teledramaturgia tem um espaço que não lhe será tirado por nenhum outro tipo de produto. "Outras emissoras adotaram muito mais a linha de programas de concursos. A Globo é que diversificou, investindo na qualidade. Nossas novelas são as melhores do Mundo", destaca a atriz. "Esses reality shows são uma onda que passa. Como diz o Kléber, faz parrrte (risos)".








 

 
 
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