Jarbas diz que partido precisa se apartar das investigações e evitar crise no Congresso
Rosália Rangel
Enviada Especial
INAJÁ - O governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) disse
ontem neste município, distante 439 quilômetros do Recife, que a melhor
saída para o PFL seria "desapartar o partido" da investigação policial
que envolve o nome da governadora do Maranhão e pré-candidata candidata
a presidente, Roseana Sarney. O PFL tem obstruído a votação de projetos
do Governo Federal, no Congresso, a exemplo da prorrogação da CPMF.
Jarbas avalia que, da forma como os pefelistas vêem conduzido o processo,
fica difícil a percepção do povo e dos políticos sobre o problema. "O
PFL é um grande partido. Acredito que se afastando dessa questão fará
uma grande coisa", analisou o peemedebista, depois de inaugurar 43 quilômetros
da PE-345, que liga o município de Inajá a Tacaratu.
Ao falar sobre a intimação feita pela Polícia Federal, que convocou
Roseana para depor no dia 17, o governador preferiu tratar do assunto
como cidadão. "O problema ainda está na fase de investigação e ainda
não podemos dizer que se trata de uma questão criminal, mas o PFL tem
que saber separar as coisas. Caso contrário, fica difícil para todo
mundo".
Para o deputado Inocêncio Oliveira, líder do PFL na Câmara Federal,
o caso de Roseana, que teve seu nome envolvido em fraudes de recursos
da extinta Sudam, chegou a um patamar preocupante. "Ficou bastante complicado.
Não esperava que o negócio fosse tão grave assim", disse. Segundo ele,
o PFL está passando um momento de grande dificuldade. "É difícil porque
Roseana é uma pessoa séria e está sobrevivendo a esse tiroteio. Agora
dizer que o PFL está coeso com essa candidatura é uma mentira. Existem
muitas facções dentro da legenda, mas a grande maioria ainda depende
dessa candidatura".
Apesar de não assumir a corrente que defende, Inocêncio mostrou as
divergências do seu partido em relação à candidatura de Roseana. De
acordo com o pefelista, o grupo formado pelos governadores Jaime Lerner
(Paraná), Siqueira Campos (Tocantins), Neldo Campos (Roraima) e José
Bianco (Rondônia) defende que o partido indique outro candidato àPresidência.
Já o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, e o presidente PFL, Jorge
Bornhausen, querem manter a candidatura de Roseana. Um terceiro grupo
estaria interessado em não lançar nomes para disputa presidencial e
um quarto segmento acena para a possibilidade de apoiar a candidatura
de Ciro Gomes (PPS). A primeira corrente teria o apoio de 10% dos filiados
e os demais 30%, respectivamente.
Mesmo com essas movimentações dentro da legenda, o deputado garante
que o sentimento de solidariedade dos pefelistas inviabilizará qualquer
iniciativa. "Enquanto ela (Roseana) for candidata não temos condições
de negociar nada", garantiu. Inocêncio disse, ainda, que o partido deverá
manter a decisão de não votar nenhum projeto no Congresso Nacional,
inclusive a prorrogação da CPMF.
Comentário dos leitores:
"Receber elogio de Inocencio , so me faz perceber
quem é Rosena Sarney e o que iremos passar caso ela vença a eleição.
Inocencio oliveira é o mesmo do escandalo dos poços do Dnocs, é o mesmo
que arquivou a cpi da corrupcao no congresso, favorecendo Sr. Murad,
é o mesmo do trabalho escravo no maranhão e, é o mesmo que comprou
voto a R$ 2,00 conforme foi flagrado pelo e TRE em 1998. Pois é , chamar
dona Roseana de séria, não me parece elogio vindo de quem vem."
Pedro Paulo, por e-mail.