ONS considera que a situação das chuvas, apesar de estarem 8% abaixo da média, continua tranqüila
Rosa Falcão
DA EQUIPE DO DIARIO
Os reservatórios das hidrelétricas que atendem a população do Nordeste estão com uma capacidade de acumulação de 65% neste mês de abril, situação considerada tranqüila pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) para o fornecimento de energia elétrica este ano. Mesmo com o nível de chuvas 8% abaixo da média, o ONS considera a hidrologia favorável neste mês de abril, quando inicia o período seco nas bacias do rio São Francisco. O consumo de energia no Nordeste é 5,5 mil megawatts, ou 400 megawatts abaixo do que foi projetado pelo ONS com o fim do racionamento. A expectativa do ONS é de que os reservatórios do Nordeste estejam entre 10% e 15% acima do nível em novembro.
Ontem, o diretor-presidente do ONS, Mário Santos, defendeu a complementação elétrica com outras fontes de energia, como a térmica e a eólica, para que haja menor dependência da hidrologia na geração de energia. Ele participou da solenidade de instalação do novo sistema de supervisão e controle do Centro Operacional Nordeste do ONS.
Mesmo com a complementação das térmicas nos próximos anos, Santos acha que a hegemonia da energia hidrelétrica vai prevalecer, devido ao potencial hídrico ainda a ser explorado no País. O presidente do ONS defende que o programa das térmicas seja mais flexível. Ou seja, que acompanhe o comportamento hidrológico das bacias hidrográficas para evitar custos desnecessários ao sistema.
Em sua opinião, a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (CGCE) está acelerando as soluções para a geração de energia alternativa, através de investimentos privados. Ele não quis opinar sobre o atraso na implantação do Programa Prioritário de Termelétricas (PPT), adiado após aumentodas chuvas e abrandamento do racionamento de energia elétrica.
O diretor-presidente do ONS defendeu também a criação de um mercado secundário de gás, como fonte alternativa de energia no uso residencial. O projeto seria viabilizado com investimentos na construção de gasodutos. Segundo ele, a CGCE está estudando a possibilidade da criação de bolsas para a compra do gás. Santos considera que o projeto pode ser viabilizado dependendo das negociações do preço do gás entre os governos do Brasil e da Bolívia.