Nos últimos anos, elas dobraram a influência na escolha do carro
Iúri Moreira
Da equipe do DIARIO
Paula Delgado
Especial para o DIARIO
A empresária Jaqueline Calheiros de Souza estava curtindo um passeio no shopping quando viu um carro em exposição. Foi paixão a primeira vista. "Fui para casa imaginando eu e meu marido dentro dele", lembra. Decidida, Jaqueline só teve o trabalho de convencer o marido. "Estávamos procurando um carro na época, e meu marido queria um utilitário importado. Um dia, aproveitei para convidá-lo a conhecer o meu modelo preferido. Acabamos comprando, do jeito que eu queria", comemora.
O publicitário Raimundo Aguiar não foge a regra e só fecha negócio com o aval da esposa. "Se ela torcer o nariz, nada feito", brinca. Sua última aquisição foi fruto de intensas negociações em casa. "Fio ela quem deu a última palavra. Não que eu não goste do carro, eu até tinha outras opções, mas ela bateu o pé e pronto", conta.
Os exemplos acima são cada vez mais comuns. Nos últimos vinte anos, a influência feminina na decisão da compra de automóveis dobrou. Segundo um estudo do departamento de Estratégia de Marketing da Volkswagen do Brasil, em 1980, elas eram responsáveis por 18% das compras de automóveis, enquanto hoje, passaram a deter 37% do mercado. E mais; somado aos 35% da influência que exercem na compra de carros pelos namorados, marido ou parentes, o total pula para 72%.
De acordo com alguns estudiosos, a explicação está na crescente inserção da mulher no mercado de trabalho. Desta forma, as montadoras estão tendo que agir rápido e eficientemente a fim de unir o útil ao agradável para ambos os sexos, já que cada um tem um perfil diferente. Enquanto os homens imaginam o carro dos sonhos como aquele que preza pela velocidade e por acessórios que representem status, as mulheres são mais racionais.
Os itens mais exigidos por elas normalmente são os que envolvem segurança e utilidade, mas vale ressaltar que, em geral, são úteis às suas necessidades específicas, como os porta-objetos que acabam fazendo o papel de uma necessaire. Elas ainda preferem modelos com direção hidráulica, bancos reclináveis e travas-elétricas; pensam noveículo como um meio de transporte que deve cumprir bem seu papel de acomodar os passageiros e dão valor ao espaço interno, pensando na acomodação das crianças, inclusive se forem necessárias cadeiras especiais.
itens - Detalhes como espelho no pára-sol do motorista para retocar a maquiagem e bancos com tecidos diferentes, lisos para não desfiar roupas ou meias finas, podem ser o elemento decisivo na hora da compra de um carro. Outra preocupação é quanto à confiabilidade na mecânica. Isso porque elas precisam confiar na marca para não ter problemas no futuro, evitando ser enganada por mecânicos mal intencionados. Veículos com fácil acesso ao seu interior e com boa dirigibilidade são as melhores pedidas.
A pesquisa também concluiu que, justamente por elas não entenderem muito bem do assunto, são as pessoas que mais recorrem aos manuais do proprietário.
Como conseqüência, o público feminino representa apenas 3% dos acidentes em estradas federais, segundo o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem(DNER). Por fim, de acordo com os dados referentes às vendas do Gol, por exemplo, as donas do assunto preferem o preto, branco, vermelho e prata para colorir seus carros.