Edição de Segunda-Feira, 18 de Março de 2002
 
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César Rocha
E-mail: politica@dpnet.com.br

Entre mortos e feridos

 Quem sobreviverá a essa crise entre PFL e Governo? Roseana Sarney está fora do jogo presidencial. É sua primeira e mais importante vítima. Com o confronto aberto estabelecido em Brasília, resta a expectativa sobre até que ponto, mais adiante, José Serra será atingido. Não há qualquer dúvida de que ele saiu-se bem até agora. Cresceu nas pesquisas, roubando de Sarney o segundo lugar, e viu os liberais perderem a alternativa que tinham de poder, consolidando seu nome como único candidato do Governo. Mas Serra já começou a pagar um preço por essas vitórias. Começaram a surgir denúncias envolvendo sua gestão no Ministério da Saúde e pessoas ligadas a ele. A contratação da Fence - empresa que presta serviços de rastreamento de grampos - é uma delas. Vão surgir muito mais nas próximas semanas. Os pefelistas não se conformam com tudo o que perderam desde a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de verticalizar as coligações. Esta obrigação de repetir nos estados as coligações nacionais é terrível para o PFL porque o partido não conta com boas candidaturas majoritárias a governador - ao contrário do PSDB. E eles não se conformam principalmente com a operação de busca e apreensão na empresa de Roseana e Jorge Murad. Foi o golpe fatal de uma série atribuída por eles a um esquema montado pelos serristas. Dai a reação irada contra o tucano. É essa reação, cuja temperatura se eleva rapidamente, que poderá atingi-lo. Como? Não se sabe ainda. É cedo. O ex-ministro já deu dois sinais claros de que há muito tempo montou uma blindagem para se proteger de ataques. Dos grampos, escapou com a contratação da Fence. De operações policiais ou de investigações, pode escapar com o uso da máquina federal. Isso ficou explícito nesta semana, quando toda a equipe da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e de Inquéritos Especiais (Delecoe), da Polícia Federal, foi demitida. A equipe apurava denúncias de irregularidades na privatização da Tele Norte Leste (Telemar). ACM acusa Ricardo Sérgio Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil, de ter recebido propina para intermediar a participação do fundo de pensão do BB no consórcio que comprou a Telemar. Oliveira é amigo de Serra, esteve na coordenação de campanhas suas. O superintendente da PF do Rio, Marcelo Itagiba, que mudou a equipe da Delecoe, é outro amigo. Já trabalhou no Ministério da Saúde. Com esse tipo de blindagem será difícil para pefelistas atingirem o tucano. Mas até que ponto?

Nos bastidores, líderes políticos dizem que não entenderam por que Inocêncio Oliveira (PFL) tem sido tão duro nos ataques ao Governo e aos tucanos. certamente, esqueceram do golpe que ele sofreu na derrota para a presidência da Câmara federal

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O PT não seguirá os passos do PFL e preservará o espaço local no seu guia televisivo que vai ao ar no próximo dia 8 de abril. Dos 20 minutos a que a legenda tem direito, apenas cinco deles estão à disposição da Executiva Nacional. Nesses 5 minutos, Lula falará sobre política nacional e local, defendendo a candidatura de Humberto Costa ao Governo do Estado.

Carlos Wilson, do PTB, está animado com a possibilidade de se lançar a governador. Se Jarbas não sair à reeleição, ele pretende entrar na disputa. Tem dito isso no Recife e em Brasília. Acha que, após a verticalização imposta pelo TSE, é melhor ser derrotado disputando o Governo do que o Senado.

Garotinho ainda acredita na possibilidade de chegar ao segundo turno com Serra, segundo o grupo de Arraes. Pesquisas mostram que ele empata ou se aproxima de Lula no Sul e Sudeste, onde estão 46% do eleitorado. Precisa superar dificuldades no Norte e Nordeste. Mas tem dois meses (até as convenções) para isso. Uma eternidade.

Saulo Ramos, ex-ministro e advogado da família Sarney, deu seu parecer, na sexta-feira, em artigo na Folha de S.Paulo: "Hoje, se ela (Roseana) me pedisse um conselho, diria que se candidatasse a senadora e saísse da campanha presidencial".

Duro com os tucanos, Saulo Ramos tenta mostrar no artigo que o ministro Alysio Nunes Ferreira agiu como oficial de Justiça na operação da PF na Lunus. Com Serra, o ex-ministro foi implacável: "O governo usou uma barulhenta motosserra na árvore de seus ideais (de Roseana) e, em poucos dias, passou dengosamente, isto é, cheio de dengues, a serrar de cima".








 

 
 
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