Edição de Quarta-Feira, 13 de Março de 2002
 
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Informática

Paraí reinventa a recarga de tinta

Empresa paraibana inova no comércio de cartuchos de tinta remanufaturados para impressoras e faz sucesso

Paulo Rebêlo
Especial para o Diario

JOÃO PESSOA - Há oito anos, o engenheiro Luciano Piquet se deparou com um problema: a tinta da impressora HP 500 acabou e não havia cartucho à venda em nenhuma loja da capital paraibana. Cinco anos depois, Luciano abriu a Paraí Informática e foi então que idealizou, desenhou, montou e passou a comercializar a Ink3000, uma máquina diferente para recarregar cartuchos de tinta para impressoras HP, Xerox, Lexmark e Canon. Pode-se resumir a Ink3000 como o produto que está revolucionando o mercado de cartuchos remanufaturados.

  Os cartuchos remanufaturados, ou "recondicionados", não são novidade. Estão no mercado, há bastante tempo, assim como o refil individual para que o usuário possa recarregar em casa. É importante não confundir remanufaturados com os falsificados.

  Remanufaturados são os cartuchos originais que recebem uma nova carga de tinta. A utilização deles é desaconselhada pelos fabricantes, mas não se trata de um mercado ilegal, desde que sejam vendidos com a descrição que foram recondicionados. Os falsificados se "disfarçam" de originais, enganam o consumidor. A batalha contra a falsificação de cartuchos tem o apoio das fabricantes e das empresas que recondicionam cartuchos, as quais contam até mesmo com uma entidade, a Associação Brasileira de Recondicionadores de Cartuchos para Impressoras (Abreci).

  O que há de tão diferente na paraibana Ink3000, em um mercado com vários modelos de máquinas importadas para recondicionar cartuchos? A máquina da Paraí é a única no mundo que utiliza um sistema a vácuo para recarregar os cartuchos, de forma a não permitir o vazamento de tinta. O vazamento durante a impressão é o maior problema dos recondicionados e o trunfo das fabricantes nas campanhas em prol dos originais. Caso a procedência não seja boa, ou o recondicionamento não tenha sido bem feito, a tinta pode vazar, manchando o papel. Pior: se a tinta entrar nos circuitos eletrônicos ou no cabeçote de impressão, o equipamento pode quebrar e o conserto custar o preço de umaimpressora.

  Luciano Piquet atesta a qualidade da sua máquina. "Com a Ink3000, não há perigo de vazamento. Nosso cartucho é, na prática, uma réplica do original. O preço é menor e muitas vezes é possível encher o cartucho com até o dobro de tinta do original", garante o empresário, que patenteou a invenção no Brasil e nos Estados Unidos. Pelo menos três empresas já tentaram copiar e comercializar uma máquina parecida. Todas foram impedidas pela Justiça.

  O processo tradicional de remanufaturar cartuchos, seja feito em casa pelo usuário ou através de uma máquina industrial, é sem mistério. A tinta é empurrada para dentro do cartucho por uma agulha fina, que por pressão enche-o com tinta. De acordo com Luciano, a falha é justamente o "empurrão" da tinta, o qual pode ocasionar bolhas de ar dentro do cartucho. "Essas bolhas de ar fazem com que a tinta vaze", explica Piquet.

  O processo da Ink3000 é diferente. A máquina retira o ar do cartucho (vácuo) para depois enchê-lo com a ajuda de tubos, sem pressionar a tinta para dentro do cartucho e sem bolhas.

As fabricantes de impressoras, como Hewlett-Packard, Epson, Lexmark, Xerox, Canon e as demais, estão cientes do mercado alternativo e possuem políticas semelhantes. Há, contudo, uma guerra silenciosa. "Somos totalmente contra o uso desses cartuchos. Se a assistência técnica detectar o uso, o cliente perde a garantia," ameaça um funcionário da Epson Brasil, que não quis ser identificado. Luis Fernando Tedesco, diretor de produtos da HP Brasil, se junta ao coro: "Os remanufaturados não possuem a qualidade dos originais e podem danificar o equipamento. Se encontrarmos falhas causadas por eles, o cliente perde a garantia," adverte.

  "Os remanufaturados tradicionais podem danificar a impressora, mas os nossos não", assegura Luciano. Em 2000, a Paraí ganhou o prêmio Inovação Tecnológica - Nordeste do Ministério da Ciência e Tecnologia.

  De acordo com dados comerciais da própria Paraí, até agora foram vendidas (e exportadas) cerca de 600 unidades da Ink3000. A receita bruta da empresa, ano passado, foi de R$ 1,8 milhão, quando a máquina não era conhecida. Hoje, o faturamento mensal é de cerca de R$ 400 mil por mês. O modelo mais barato, a Ink3000 Standard, custa R$ 5.700. Em João Pessoa, existem vários quiosques instalados em centros de compra para que as pessoas levem o cartucho vazio e saiam com ele recarregado. Os quiosques começam a ser vendidos para outras cidades e recarregam cartuchos pretos .

* Paulo Rebêlo (rebelo@gmx.net) é correspondente no Brasil da Wired.com e redator do Webinsider.com.br








 

 
 
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