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Por pouco, Íbis não perde na estréia da Segundona
Com gol de Bolinha, equipe empata em 1x1 com Ferroviário do Cabo
Fred Figueiroa
ESPECIAL PARA O DIARIO
Eram quase cinco horas da tarde, quando explodiram fogos de artifício no céu do Alto da Vila do Trabalho, em Camaragibe. O motivo da sonora exaltação não era nenhuma celebração religiosa ou prévia das ainda distantes festas juninas, e sim a comemoração do primeiro gol do Íbis em 2002, um feito que salvou o time da derrota para o Ferroviário do Cabo - garantindo um empate em 1x1- e que levou ao delírio os quase 200 torcedores (116 pagantes nas arquibancadas e dezenas de penetras no barranco ao lado do estádio) que escolheram a estréia do Pior Time do Mundo no Estadual da segunda divisão como o programa de lazer.
E o gol de empate foi mesmo o melhor momento de um joguinho ruim de doer, em que as duas equipes tiveram que mostrar muita raça para compensar o pouco entrosamento e uma qualidade técnica das mais limitadas, defeitos comuns a times de orçamento curto, ainda mais em início de temporada. Na ausência de jogadas bem trabalhadas ou demonstrações individuais de habilidade, a perfeita cobrança de falta do meia Bolinha, aos 37 minutos do segundo tempo, foi o lance mais bonito da partida. O camisa 10 do Íbis chutou com volência, da entrada da área, a bola foi certeira no ângulo direito do goleiro Vágner, que saltou em vão.
Não fosse a precisão do chute de Bolinha, o Íbis teria saído de campo derrotado, cumprindo o velho estigma do clube. E a fama de perdedor às vezes parece um carma que os jogadores são obrigados a carregar. Desde que levou o gol aos 20 minutos do primeiro tempo, num pênalti cobrado pelo meia Pablo, o Íbis pressionou o Ferroviário, mesmo que de forma desordenada. No primeiro tempo, o atacante Sandro e o zagueiro Givaldo perderam gols incríveis. Na etapa final, a bola continuou inimiga dos jogadores do Íbis e parecia que não iria entrar no gol adversário nunca. Os atletas se desesperavam, o treinador olhava o relógio a cada minuto, os dirigentes reclamavam da falta de sorte e os torcedores xingavam o time, mas no fundo, pareciam até se divertir, compondo mais vez o cenário tragi-cômico que se repete sempre que o pior time do Mundo entra em campo com sua peculiar tradição de quas nunca vencer. Grupo 1: 1º de Maio 2x2 Flamengo de Arcoverde; Itacuruba 3 x 0 Egípiciense. Grupo 2: Surubim 2x3 Centro Limoeirense. Grupo 3: Barreiros 2x0 Cabense.
ÍBIS
Edmílson; Batata, Rosinaldo, Givaldo e Geison; Zé Carlos, Mozinho, Bolinha e André França; Sandro (Serginho) e Nildo (Alexandre). Técnico: Jálber Carvalho
FERROVIÁRIO DO CABO
Vágner; Ricardo, Cal, Amaragi e Gleison; Darcio, Edílson, Iran e Pablo; Duda e Buiú. Técnico: Zé Ramos.
Campoeonato Pernambucano de Segunda Divisão
Local: Estádio Municipal de Camaragibe. Árbitro: Antônio Justino. Assistentes: Marco Aurélio e Simone Nunes. Gols: Pablo (Ferroviário) e Bolinha (Íbis). Público: 116 pagantes. Renda: R$ 232.
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