Escuderia faz dobradinha no GP com vitória de Ralf Schumacher e o segundo lugar de Montoya
Tudo bem que a Williams-Michelin ou a McLaren-Michelin deveriam dar uma resposta à Ferrari-Bridgestone depois da vitória esmagadora de Michael Schumacher em Melbourne. Mas não precisava também, com sua resposta impressionante já no GP seguinte, ontem na Malásia, passar a idéia de que, daqui para a frente, Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya, a dupla da Williams, é que vai ser difícil de ser vencida. O jovem e talentosíssimo Felipe Massa, da Sauber, classificou-se em sexto, somando seu primeiro ponto na F-1, ainda na segunda corrida da carreira.
Sob o sol forte de 34 graus e bom público, Ralf venceu a prova de Sepang, com Montoya em segundo, de forma a não deixar dúvidas: a Ferrari que não pense que o campeonato já acabou. Ralf manteve praticamente o ritmo de Rubens Barrichello, líder no início, mesmo com sua Williams carregando cerca de 110 litros de gasolina (85 quilos), para um pit stop, diante de cerca de 70 litros (54 quilos) de Barrichello, programado para duas paradas. Mais: deixou um recado claro aos italianos. Tratem de apressar a estréia do seu novo carro, F2002, porque será muito difícil tirar da Williams a vitória no GP do Brasil, dia 31.
A edição do ano passado serve bem de lição. Em 2001, Ralf e Montoya só não ganharam em Interlagos porque acabaram envolvidos, involuntariamente, em acidentes. A grande decepção da corrida de Sepang ficou por conta da McLaren, como vem ocorrendo desde o ano passado. Sobra carro, o chassi do modelo MP4/17 sugere ser até mesmo superior ao FW24 da Williams, mas falta motor.
Como na abertura do Mundial, na Austrália, a prova teve outro acidente na largada, envolvendo Schumacher e Montoya, primeiro e segundo no grid. O colombiano colocou sua Williams lado a lado com a Ferrari, na curva 1, espremendo o alemão, que por não ter espaço freou com as duas rodas direitas sobre a zebra. Seu carro foi em frente e colidiu contra a Williams, arrancando o aerofólio dianteiro da Ferrari. Schumacher teve de ir para o box e caiu para último. Montoya permaneceu na corrida, mas em12º. Os comissários desportivos decidiram aplicar ao colombiano, na nona volta, uma penalização que estreou este ano: o drive trought, ou seja, o piloto é obrigado a vir para a área de box e percorrê-la na velocidade limite, 120 km/h. É uma punição mais branda que o stop and go. Quando retornou à pista estava em 11º. "Não concordo com a decisão", afirmou Montoya.
Por muito mais, em várias ocasiões, Schumacher nunca recebeu pena alguma. Supreendentemente, porém, até o alemão saiu em defesa de Montoya. "Acho que a direção de prova errou ao punir Montoya. Foi um acidente de corrida", falou o alemão, até feliz com o terceiro lugar, depois de espetacular reação, afinal ainda é líder do Mundial. "Somar 14 pontos nas duas primeiras etapas, com o carro velho, representa muito mais do que eu e a equipe imaginávamos".
O início da competição teve um nome: Rubens Barrichello. Com Schumacher e Montoya se tocando, ele aproveitou bem a terceira colocação no grid e assumiu a liderança do GP da Malásia. Dirigia com autoridade até a 39ªvolta, na segunda colocação, posição que poderia manter até o fim sem dificuldades, quando o motor quebrou. Ralf o passou porque parou uma vez só nos boxes. "Nós certamente teríamos problemas de pneus se optássemos pela estratégia de um único pit stop", explicou Barrichello.
Já no sábado os 22 carros que irão disputar o 31º GP do Brasil desembarcarão em São Paulo. Depois dos espetáculos contrastantes apresentados em Melbourne e em Sepang, quem duvida que a prova de Interlagos não despertará grandes interesses?