SÃO PAULO - Taxa de juros em baixa no Brasil e em alta nos Estados Unidos. Essa é a expectativa de parte do mercado para esta semana, em que a data das reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) e do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) dos EUA coincide. Os comitês de cada um dos países se reúnem amanhã e anunciam na quarta suas decisões relativas à taxa básica de juros nas duas economias. Além dos juros, o desenrolar da crise PFL-Governo federal e das candidaturas presidenciais monopoliza as atenções.
Em relação aos juros, analistas afirmam que, se os movimentos dos dois comitês forem opostos, haverá otimismo nas Bolsas. "Se a taxa cair 0,25 ponto percentual no Brasil, será pouco", afirma Pedro Thomazoni, diretor de tesouraria do Lloyds TSB. "Não faz diferença para o mercado e faz pouca diferença para a Bolsa", afirma Alexandre Póvoa, da ABN Asset Management.
O mercado já trabalha com a possibilidade de redução de meio ponto percentual na taxa Selic. Segundo analistas, o Copom deveria cortaros juros - hoje fixados em 18,75% ao ano - antes de junho, quando a inflação é pressionada por reajustes de tarifas públicas pelo IGP-M. "Seria preferível ser mais agressivo agora e parar de cortar de maio a agosto", diz Thomazoni. "Outra vantagem é aproveitar o bom momento do cenário internacional, que não ocorria há dois anos", lembra Póvoa.
Nos Estados Unidos, segundo o diretor do Lloyds, uma alta dos juros representaria uma mensagem efetiva do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Alan Greenspan, de boa recuperação da economia. "Seria um alívio para os americanos e estimularia a retomada do apetite para o risco no mercado mundial, beneficiando os emergentes", afirma Thomazoni. As Bolsas americanas tiveram na semana passada uma certa calmaria, apesar do temido triplo vencimento que, inflado pela disputa entre comprados e vendidos, costuma acarretar alta volatilidade.