Edição de Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2002
 
Início Diario de Pernambuco Viver LIVRO

Cadernos

Política
Brasil
Mundo
Economia
Esportes
Vida Urbana
Viver
 

Suplementos

Revista na TV
Empregos
Viver Mulher
Viagem
Informática
Saúde
Carro
Imóveis
 

Serviços

Assinaturas e Renovações
 
Expediente
 
Edições Anteriores do Diario de Pernambuco




Viver

LIVRO

Frederico Barbosa exorciza a depressão

Luciana Veras
especial para o DIARIO

"Fim de domingo - ao som da TV - a vida pelo ralo - desperdício de ser". Quem nunca se sentiu assim, perdido e desnorteado diante do turbilhão de emoções despertado pelo primeiro dos dias da semana, que atire a primeira pedra. O poeta pernambucano Frederico Barbosa não esconde de ninguém a tristeza que a falta de perspectivas, não só televisivas, lhe causava. Tanto que decidiu transportá-la para a poesia. Adepto da crença de que "tem um pouco de autobiográfico em tudo que se faz", ele concebeu o longo e único poema que constitui Louco No Oco Sem Beiras - Anatomia da Depressão, livro a ser lançado e autografado hoje, a partir das 19h, no bar e livraria Senhor Martins, no Pátio de São Pedro.

  "Procurei traduzir algo de que muita sofre nesse mundo neoliberal e consumista. Eu mesmo me senti assim, numa sensação de depressão e certa impotência", conta Frederico, um pernambucano de 40 anos radicado em São Paulo há décadas que ganhou o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, com Nada Feito Nada, publicadoem 1993. A este volume se seguiu o elogiado Contracorrente, do qual o poeta saiu para Louco No Oco. Com 88 páginas, foi escrito em dois meses, porém alguns fragmentos remontam a épocas passadas. "Foi o mais rápido que escrevi, mas nele existem coisas que estiveram guardadas durante 15 anos", revela o autor.

  No livro, explica o autor, o poema é permeado de fragmentos "em que se fala sobre como as pessoas se sentem hoje". Ele cita o trecho sobre a melancolia do domingo (veja abaixo) como um dos que mais ecoam este vazio e afirma que foram vários os leitores a procurá-lo, assumindo uma identificação total com o texto. "As pessoas ficam mais fortes ao ler. É um livro forte e deprê, mas faz com que elas não se sintam só", argumenta o poeta.

  E quanto à opção de transformar a depressão num enorme bloco poético? Frederico ratifica que "trabalha a forma no sentido de fortalecer o conteúdo". "Não exite a estética sem o conteúdo", opina, acrescentando em seguida: "A escolha do conteúdo já é estética". O resto, diz ele, é burilar, cortar e retrabalhar tudo aquilo. "Escrever é ir lapidando até chegar ao ponto de coesão", sintetiza.

  Falando em redigir, o poeta que disponibilizou boa parte da sua produção literária na Internet (visite o site sites.uol.com.br/fredbar) e trabalha como professor de Entendimento de Texto e Literatura Brasileira num cursinho em São Paulo avisa que já está com o quinto livro pronto. Tem o título provisório de BrasiBraseiro e é uma parceria com o baiano Antônio Risério. Seja lá quais tenham sido as causas do mergulho depressivo de Frederico Barbosa, pode-se dizer que ele, através da poesia, chegou à superfície. "Escrevendo eu me sinto bem. Sinto que estou fazendo algo interessante pra mim e para os outros", conclui.

Serviço

Lançamento do livro Louco No Oco Sem Beiras - Anatomia da Depressão, de Frederico Barbosa (editora Ateliê Editorial,

88 páginas, R$ 25,00)

Onde: Bar e Livraria Senhor Martins (Pátio de São Pedro, casa 25). Informações: 3424.1366

Quando: Hoje, a partir das 19h

Entrada franca








 

 
 
Sua Opinião


Copyright 2001 - Pernambuco.com

Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização.
diario@dpnet.com.br