Agentes federais e policiais civis pretendem trabalhar juntos para reduzir casos
Cristiano Jerônimo
DA EQUIPE DO DIARIO
O combate ao crime de seqüestros no Estado de Pernambuco ganha um aliado de peso a partir deste ano. O Superintendente da Polícia Federal em Pernambuco, Wilson Damazio, afirma que já realizou várias reuniões com o secretário de Defesa Social, Gustavo Lima, para tratar de ações conjuntas de repressão ao crime de extorsão mediante seqüestro em todas as suas modalidades, principalmente o seqüestro-relâmpago. A participação da PF no combate aos seqüestradores, de acordo com Damazio, justifica-se pelos altos índices que esta prática criminosa tem alcançado no Estado. "Faz parte da nossa política a integração com as polícias estaduais", enfatizou. Pesquisa do Ministério da Justiça coloca Pernambuco entre os três estados mais violentos em termos de seqüestro.
Com um efetivo aproximado de 200 policiais federais em todo o Estado, Damazio afirma que a ação da PF deve se concentrar nos trabalhos de investigação e inteligência policial. "A Polícia Militar e a Civil têm efetivos bem maiores que o nosso, e a integração dos aparelhos policiais deve render bons frutos para a sociedade pernambucana". O superintendente acredita que o aumento do número de seqüestros em Pernambuco seja um reflexo das sucessivas operações de combate ao narcotráfico. "Os criminosos sempre migram em suas atividades", afirma Wilson Damazio.
De acordo com o superintendente da PF, o Ministério da Justiça está planejando um programa em nível nacional para o combate ao seqüestro e Pernambuco é um dos estados que irá receber atenção especial. "Nossa vantagem é que os seqüestros daqui são quantitativos e não qualitativos. Os seqüestradores daqui não têm o nível de organização que existe em outras regiões. O próprio preço do resgate indica uma estrutura menor e de fácil combate", avalia.
Wilson Damazio também observa que Pernambuco está importando seqüestradores e exportando assaltantes de banco. "O maior combate aos assaltos a banco afastou as quadrilhas, enquanto outras estão atuando no Estado, mas são de outros locais", comparou. Para exemplificar, ele revela uma ação da Polícia Federal, ocorrida na semana passada, em Belém do Pará. "Foram presos 19 assaltantes de banco com vários fuzis automáticos. Dos 19, dez eram assaltantes pernambucanos, entre eles Paulo Donizete, parceiro da quadrilha de Jorge Grampão e Claudionor", adiantou. Damazio acredita que com os programas de segurança para a Amazônia e restante do País, através do Fundo Nacional de Segurança, haverá uma nova realidade no combate ao crime organizado no País.