Edição de Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2002
 
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Vida Urbana

Esgoto provoca morte de caranguejos e siris

O mau funcionamento de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Compesa está deixando preocupados os pescadores do município de Rio Formoso, a 82 quilômetros do Recife. A ETE está despejando esgoto in natura em um canal que deságua no rio que dá nome à cidade, provocando mortalidade de caranguejos e siris nos manguezais. O Departamento de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) também teme que o problema acabe prejudicando o projeto de criação de ostras que eles desenvolvem no estuário do rio há um ano.

  O presidente da Colônia de Pescadores Z-7, Francisco Assis de Santana, disse que o problema foi verificado pela primeira vez há cerca de um mês. "Os pescadores começaram a sentir a fedentina vindo da água e impregnada nas redes. Isso em um ponto do estuário que fica a seis quilômetros da estação. Se isso continuar por muito tempo, vai começar a ter mortalidade de caranguejos nos mangues", declarou.

  Estudante de Engenharia de Pesca e um dos participantes do projeto de ostreiculturaem Rio Formoso, Davi Dias tem receio de que o vazamento contamine a criação de ostras. "Iniciamos esse cultivo há cerca de dois meses, com 30 mil sementes de ostras. Estamos estudando as melhores formas de criação para o Estado, mas temos medo de que a pesquisa acabe sendo prejudicada por causa do vazamento de esgoto". Além dos alunos da UFRPE, 10 pescadores da colônia também estão integrados ao projeto.

CONTRASTE - A menos de 50 metros da ETE, é possível ver o líquido escuro e mau-cheiroso sendo despejado em um canal de escoamento que vai até o rio Formoso, formando um grande contraste de cor com a água mais limpa. Segundo Davi, outros integrantes do Departamento de Pesca já estão com viagem marcada para a cidade na próxima sexta-feira, quando vão coletar água do estuário para fazer análise da qualidade da água nos laboratórios da UFRPE. O departamento também vai mandar um ofício para a presidência da CPRH solicitando a fiscalização da área.

  O gerente metropolitano de esgotos da Compesa, Julio Sérgio Maia, diz não ter conhecimento de falhas no funcionamento da ETE de Rio Formoso. "Pelo contrário", disse ele, "aquele sistema é o mais moderno utilizado no Estado. A ETE foi inaugurada há apenas quatro meses", afirmou. Ele disse também que o esgoto sem tratamento que está sendo despejado no canal pode não estar saindo da ETE, e sim de áreas da cidade onde a coleta de esgoto ainda não está implantada. Maia informou que irá hoje a Rio Formoso avaliar a situação.








 

 
 
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