Líder do PFL, Inocêncio Oliveira diz que ministro não tem condições de liderar a aliança governista
A candidatura presidencial do ministro da Saúde, José Serra (PSDB), é "natimorta". Pelo menos para o líder do PFL na Câmara dos Deputados, Inocêncio Oliveira, hoje um dos articuladores do projeto nacional da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL). "Serra entrou tarde. A estratégia do PSDB foi mortal para ele, porque sua candidatura foi muito postergada", avaliou, ontem, o líder pefelista, para quem o ministro tucano não tem condições de liderar um projeto para o País "porque tem uma visão muito paulista das coisas e acha que o resto vai a reboque de São Paulo".
Inocêncio citou pesquisas nas quais o eleitorado brasileiro aparece dividido em três partes, sendo um terço apoiando o Governo, um terço apoiando a oposição e o restante indefinido. "Roseana já ocupou esse um terço do Governo", destacou. O líder admitiu que a aliança governista nacional "caminha claramente para um rompimento e a noiva disputada hoje é o PMDB". Na opinião de Inocêncio, o melhor vice para Roseana é o presidente nacional do PMDB,deputado Michel Temer (SP), "porque ele é do maior colégio eleitoral do Brasil".
Segundo o pefelista, quem tiver melhor nas pesquisas, ganha a noiva. "Pode-se exigir tudo de um político, menos suicídio. Então, se Roseana se mantiver numa média de 20% e Serra não passar de 7% ou 8%...", observou. Inocêncio Oliveira adiantou que o PFL já se comprometeu a fazer um programa comum de Governo com o PMDB. Ele acentuou ser melhor para o PFL se compor com o PMDB, porque "o PMDB se dividiu durante os oito anos do Governo FHC, não ficou muito identificado com ele, o que nos permite fazer uma campanha mais solta", declarou.
Para Inocêncio, "a estrutura do PSDB é tão grande e Serra é tão teimoso e obstinado nas coisas que, mesmo natimorto, ele será o candidato do PSDB". O líder enfatizou que o PFL não pode mais se contentar com a vaga de vice. "Partido que fica com a vice mais do que duas vezes não é um partido, mas um vice-partido", afirmou. De acordo com Inocêncio Oliveira, o apoio do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), a Roseana Sarney "é irreversível, é um destino traçado".
O líder pefelista enfatizou ainda que, enquanto a candidatura presidencial de Raul Jungmann (PMDB) não tem razão nem consistência, a de Roseana já acumula o mérito de ter exposto a fragilidade do presidenciável do PT, Luis Inácio Lula da Silva. "O PT estava de sapato alto e tinha montado um ministério para Lula. Hoje a candidatura dele é questionada no próprio partido, porque ele não ultrapassa os 30%", destacou.