RIO - Quase quatro anos depois do desabamento do Palace 2, em que oito pessoas morreram e mais de cem ficaram desabrigadas, uma família que morava no edifício se mostrou favorável ontem à proposta do ex-deputado Sérgio Naya, dono da construtora Sersan, responsável pela obra, de pagar 80% do valor correspondente ao imóvel.
Outras dez pessoas já fizeram acordo com Naya, mas, segundo o advogado da associação das vítimas, Eduardo Lutz, ninguém recebeu o dinheiro ainda. "Não faz sentido entrar num acordo porque ele não paga mesmo. Vive dizendo que está sem dinheiro", ironizou Lutz.
A associação é contra as propostas de Naya. A maior parte dos moradores defende o cumprimento dos 82 acórdãos firmados pela Justiça, que garantem o pagamento de indenizações entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por família, enquanto o ex-deputado pede o desbloqueio de seus bens, avaliados em mais de R$ 100 milhões e confiscados judicialmente, para pagar as vítimas.
O valor do acordo aceito ontem ainda será calculado pela 4ªVara de Falências e Concordatas, mas Eduardo Lutz estima que foi de cerca de R$ 200 mil. "Em geral, os advogados de Naya têm oferecido 20% a menos do que as famílias têm direito", informou Lutz, que defende 90 famílias que viviam no Palace na época do desabamento, em fevereiro de 1998.