SÃO PAULO - O exame da Ordem dos Advogados do Brasil, sem o qual não se pode legalmente exercer a profissão, é uma dor de cabeça para os 42 mil bacharéis que saem todo ano das faculdades de Direito. Na média, de cada dez pessoas que prestam o exame só três são aprovadas. Trata-se de um funil muito estreito, que tem recebido regularmente algum tipo de ataque.
O mais recente deles é um projeto apresentado há poucos dias na Câmara dos Deputados, propondo a alteração na Lei 8906, de 1994, que dispõe sobre o exame. De acordo com o projeto, o bacharel que fizer dois anos de estágio em algum órgão jurídico da administração pública também terá o direito de exercer a profissão, sem necessidade do exame.
O autor da proposta, o deputado Lino Rossi, de 44 anos, vinculado ao PSDB de Mato Grosso, acredita que um período de dois anos de atividade pode ser mais significativo para a carreira do futuro profissional do que o exame da OAB. "O que decide tudo é a prática", diz o deputado. "Se não fosse assim, os estudantes de medicina prestariam um exame ao final do curso, em vez de fazer residência médica."
Rossi acha que o exame é exageradamente difícil e que com a mudança mais pessoas terão oportunidade de exercer a advocacia. O projeto deve chegar nos próximos dias à Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público e suas chances de ser aprovado são pequenas.