Verde e clima frio dão as boas-vindas no Espírito Santo
Jailson da Paz
enviado especial
Pouco divulgado, o Espírito Santo soa como incógnita para muita gente. Mas quem optar em colocá-lo como rumo turístico verá que o estado reserva surpresas. As provas estão em todos os lados. Na Grande Vitória, por exemplo, o mar se abre como leque aos visitantes. São quase cem quilômetros de praias. E a menos de uma hora de carro, a Mata Atlântica toma conta do visual, contribuindo para o charme e o aconchego do clima das serras capixabas, onde a temperatura chega a zero grau.
Nesse recanto do estado, conhecido como a Europa capixaba, Domingos Martins merece atenção. Ela é a mais badalada das cidades serranas, contando com uma rede hoteleira de fazer inveja. Mas, deixemos de lado os hotéis e pousadas e mergulhemos mata a dentro. Afinal, cerca de 20% dos 1.134 quilômetros quadrados do município ainda preservam a fauna e a flora original da Mata Atlântica.
E o melhor, como escreveu o poeta Carlos Drumond de Andrade, no meio do caminho - acrescento, dos turistas - tinha uma pedra. Pedra? Sim, a Pedra Azul.A rocha, cujo pico fica a 1.822 metros acima do nível do mar, empresta o nome a um parque estadual com 1.240 hectares. Isso apenas pode ser visto pelas pessoas dispostas a enfrentar trilhas e a escalar 95 metros segurado a uma corda.
"Só quem se arrisca sabe a beleza do lugar", prega o guarda florestal Leomar Tedesco. Ele tem razão. Imagine o que é caminhar ao som de arapongas e tucanos e por fim, refrescar-se nas águas claras de nove piscinas naturais. A paisagem é indescritível. "A Pedra Azul é uma rocha magmática, fruto de ação vulcânica".
Depois da aventura, bom mesmo é comer. A culinária oferece desde moqueca capixaba aos pratos de origem italiana e alemã. A sobremesa também é imperdível: struedel de banana, receita vencedora do concurso Vitória Sabor do ano passado.
FLORES - Recarregadas as energias, escolha um programa light. A olhadela no orquidário de Roberto Anselmo Kautsky cairá bem. Aos 77 anos, ele é um dos mais importantes pesquisadores de orquídeas e begônias. A poucos metros do orquidário, na rua do Lazer, pode-se comprar o vinho e a geléia de jaboticada e na praça, além das flores, comprova-se a influência dos alemães na cultura local. Ao contrário de quase todas as regiões do Brasil, a igreja tradicional não é católica, mas um templo luterano.
Os costumes europeus permanecem tão arraigados em Domingos Martins, que comunidades oriundas da Pomerânia, na Alemanha, têm dificuldade de falar português. "Até os noivos ainda casam de preto", reforça Olimar Peterle, secretário de Turismo.Além da temperatura, o município cria o clima do Velho Mundo no Festival de Inverno, cujo forte é a música clássica, e o Sommer Fest, previsto para este mês, com a culinária alemã e grupos folclóricos ditando as regras. É pagar para ver.
O jornalista viajou a convite da Revista Orla Turismo & Negócios