Especialistas garantem que a vasectomia não traz complicações à saúde do homem nem qualquer tipo de disfunção sexual
Cleide Galdino
Da equipe do DIARIO
Vinte minutos, uma anestesia local, duas pinças e um bisturi. Pronto, é o suficiente para a realização da vasectomia. Também conhecida como esterilização masculina, a cirurgia é quase indolor, mais barata e menos complicada do que a laqueadura de trompas feminina. Apesar de ser realizada no homem, a mulher (sua parceira) é a principal beneficiada com a operação, pois não vai precisar mais tomar pílulas anticoncepcionais ou se submeter à esterilização definitiva. "A mulher sofre muito mais quando passa pela laqueadura tubária. É uma operação agressiva e pode causar inclusive repercussões do ponto de vista hormonal", alerta o chefe do serviço de urologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Amaury Medeiros.
A vasectomia, por sua vez, não traz, segundo o especialista, complicações à saúde do homem, nem a curto, médio ou longo prazos. A cirurgia não exige internação e consiste no corte do canal deferente, que leva o espermatozóide do testículo até a vesícula seminal, onde ele se mistura ao esperma e é expelido através do pênis, na hora do orgasmo. "Um homem vasectomizado não apresenta qualquer alteração na quantidade, na cor e nem na consistência do seu ejaculado. A ejaculação continua normal, só que sem espermatozóide", explica.
De acordo com Medeiros, os mitos sobre os riscos de impotência por conta da operação também devem ser desfeitos. Na maioria dos casos, segundo ele, após a cirurgia os homens ficam sexualmente até mais ativos do que antes, porque se livram do medo de provocar uma gravidez indesejada na parceira. "Já fiz cerca de quatrocentas cirurgias, todas com sucesso", diz o médico, que usa uma técnica cirúrgica oriental, sem uso de bisturi e sem corte.
contraceptivos - Uma das precauções mais importantes após a operação e a retomada da rotina de relações sexuais do homem é a continuidade do uso de métodos contraceptivos por parte do casal durante algum tempo. "O estoque de espermatozóides dura cerca de 64 dias na vesícula seminal e nesse meio tempo o homem ainda pode inseminar a parceira", explica o urologista Terencio Vasconcelos. O médico também chama a atenção para a consciência que se deve ter sobre a irreversibilidade da cirurgia. "Em 99% dos casos a reversão não tem êxito", salienta.
Felizmente, esse não foi o caso do médico Mauro Roberto Torres Casado, 59 anos, que decidiu fazer a cirurgia há 29, depois do nascimento do seu terceiro filho, do primeiro matrimônio. "Fiquei vasectomizado por mais de 17 anos e decidi me submeter a cirurgia de reversão depois do meu segundo casamento", recorda. Mauro garante que a vasectomia não causou qualquer interferência no seu desempenho sexual e se considera um homem de sorte, pois devido ao longo tempo que ficou estéril só tinha 50% de chance de conseguir uma reversão bem-sucedida. Ele tem mais dois filhos do segundo casamento.
A Lei Federal 9.263 garante, desde 1996, o acesso a esse tipo de cirurgia através serviço público de saúde, mediante o cumprimento de critérios rígidos. A legislação diz que somente homens e mulheres com capacidade civil plena emaiores de 25 anos ou, pelo menos, com dois filhos podem fazê-la. No Recife, as unidades de saúde que fazem a laqueadura de trompas e a vasectomia são a Maternidade da Encruzilhada (Cisam), o Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), os hospitais das Clínicas, Agamenon e Barão de Lucena.
Prevista para ser reaberta no dia 29 de janeiro, a Maternidade Bandeira Filho, em Afogados, também terá um ambulatório de Planejamento Familiar. O tempo mínimo de espera de 60 dias e a assinatura de um termo de responsabilidade são algumas das exigências que terão que ser cumpridas por quem se candidatar a cirurgia.