Cruzada ideológica
César Rocha
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A movimentação do ministro Raul Jungmann (PMDB) nos últimos dias é uma amostra do estrago que ele poderá causar nas próximas eleições, em nível local, na aliança que sustenta o Governo Jarbas Vasconcelos - formada pelo PMDB, PFL, PSDB e PPB. Estrago principalmente para o PFL. Jungmann lançou uma inusitada campanha ideológica contra a possibilidade de os pefelistas conquistarem e até ampliarem a hegemonia na aliança nacional. E ele, certamente, pensa algo semelhante para o plano local. Caso não emplaque na sucessão presidencial, após o lançamento de seu nome para disputar as prévias do PMDB com Itamar Franco e Michel Temer, Jungmann tende a disputar um mandato de deputado federal em Pernambuco. E, por isso, irá participar dos debates na aliança jarbista. Com seu discurso ideológico e capacidade de articulação, não resta dúvidas que reforçará um movimento gradual que tem sido observado na aliança. O movimento que tende a reduzir o peso do PFL no centro de poder. Que tende a levar a coalização comandada por Jarbas do centro-direita para o centro-esquerda. Isso tem sido observado desde que o tucano Sérgio Guerra aderiu à aliança e construiu uma base partidária com dimensão semelhante à do PFL. Construção que contou com total respaldo de Jarbas Vasconcelos. Os sinais mais claros dos conflitos que esse movimento provoca serão vistos na eleição. Mas ficarão explícitos nos próximos dois anos, antes da disputa para a Prefeitura do Recife. Isso, caso a aliança vença as eleições de 2002.
Um aliado do prefeito João Paulo não se conforma com a contratação, pela Prefeitura, de uma consultoria por quase R$ 5 milhões e disparou: "O prefeito deu um tiro no seu próprio pé. Desse jeito ele não precisa de oposição".
Exibição
Raul Jungmann fala mais duas vezes em cadeia de TV e rádio antes de deixar o ministério, em 17 de fevereiro. Será uma em cadeia regional, para explicações sobre a seca, e outra, nacional, sobre a reforma agrária. Os dividendos eleitorais devem vir em breve. E sem custo para o candidato, claro.
Sucessão I
É bobagem fazer futurologia sobre a sucessão presidencial. Mesmo que Roseana ultrapasse Lula nas pesquisas. O jogo ainda não começou. A governadora sequer foi exposta sob um ponto de vista crítico. Por enquanto, é apenas produto. Um produto que, no máximo, sugere o interesse da população na continuidade sem continuismo. Continuidade da estabilidade política e monetária.
Sucessão II
Os fatos novos desta eleição não foram ainda exibidos com profundidade. O fenômeno Roseana é apenas um deles. O outro é a versão light do PT e de Lula. Essa versão ainda não chegou às ruas em sua real dimensão. Será que os petistas conseguirão mostrar-se realmente reciclados? Até que ponto passarão segurança sobrea manutenção da estabilidade política e monetária?
Fazenda I
Gente no Governo do Estado faz uma conta simples para mostrar que perdeu-se muito tempo retardando um acordo salarial com os fazendários, que promoveram por mais de um ano uma operação tartaruga. Diz-se que o acordo custa cerca de R$ 1,5 milhão por mês. Ocorre que, bastou ser fechado o aumento da categoria, para que a arrecadação de ICMS crescesse mais de R$ 20 milhões mensais.
Fazenda II
Levando-se em conta que o acordo todo com os fazendários, segundo gente do governo, custa menos de R$ 20 milhões ao ano, não resta dúvida que o prejuízo com o prolongamento da operação tartaruga dos fazendários foi um erro grave. Os meses de conflito representam arrecadação que não se recupera mais.
Secretaria
A pasta de Projetos Especiais e Desenvolvimento Urbano, ocupada pelo tucano Sérgio Guerra, é mais técnica que política. Pelo menos em tese. Na ante-sala do escritório dele, porém, é sempre intenso o movimento de lideranças políticas do Interior e dacapital.
Dois marqueteiros pernambucanos, Antonio Lavareda e José Nivaldo Júnior, já militaram juntos no movimento estudantil do Estado. Participaram da resistência à ditadura. No entanto, há anos estão separados politicamente. Em 2002, vão ter uma grande batalha como concorrentes. Lavareda, defendendo a imagem de Jarbas Vasconcelos. José Nivaldo, a de João Paulo.